Prefeitura de Manaus orienta contatos de pacientes com hanseníase a realizar teste rápido em USFs

Por Prefeitura de Manaus

20/01/2026 16h40

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#paratodosverem – Médica da Semsa realizando teste rápido

Com 12 unidades de saúde realizando o teste rápido de hanseníase na capital amazonense, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), reforça o alerta sobre a importância do exame para avaliação de pessoas que convivem ou conviveram, de forma próxima e prolongada, com pacientes diagnosticados com a doença e em tratamento.

O teste rápido é utilizado na rede municipal de saúde como estratégia para identificar pessoas com maior risco de adoecimento e direcionar o acompanhamento clínico e a vigilância ativa, contribuindo para o diagnóstico mais precoce e a redução das incapacidades físicas que podem surgir com a hanseníase, além de interromper a cadeia de transmissão.

Em 2025, Manaus alcançou 90,07% no indicador de vigilância na avaliação dos contatos dos pacientes diagnosticados com hanseníase e que representam o público indicado para a realização do teste rápido.

A chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase (Nuhan/Semsa), enfermeira Ana Cristina Malveira, explica que os contatos principais são pessoas que convivem ou conviveram na mesma residência, na mesma família, além daqueles que convivem em ambientes de trabalho e escola.

“Após 72 horas do início do tratamento medicamentoso, o paciente não transmite mais a doença. Porém, a hanseníase tem evolução lenta e os sintomas podem demorar anos para se manifestar. Nesse período de incubação da doença, sem o tratamento, o risco de transmissão foi mantido”, aponta Cristina Malveira.

Atendimento

O teste rápido de hanseníase é indicado especificamente para os contatos por ser uma ferramenta que detecta anticorpos específicos contra o bacilo causador da doença, o Mycobacterium leprae. No caso de o resultado do exame ser reagente (positivo), não significa que a pessoa tem a doença, mas sim que possui um risco aumentado de adoecimento e que deve ser avaliada anualmente, durante o período de cinco anos.

Na rede municipal de saúde, os contatos são identificados quando há um novo caso diagnosticado de hanseníase. A equipe de saúde atua na identificação dos possíveis contatos do paciente para que realizem o exame dermatoneurológico (exame da pele e de nervos periféricos).

Depois do exame dermatoneurológico, os contatos são encaminhados para realizar o teste rápido, que é feito a partir da coleta de uma gota de sangue da ponta do dedo do paciente. Se for positivo para os anticorpos, o contato será acompanhado por um período de cinco anos. Nesse período, se houver a manifestação da hanseníase, o tratamento será oferecido de forma precoce, resultando na prevenção de sequelas físicas da hanseníase e evitando a disseminação da doença para outras pessoas.

No ano passado, foram realizados 390 testes rápidos em Manaus, com 212 nas UBSs da Semsa e 178 na Fundação Hospital Alfredo da Matta (Fuham). 

“A oferta do teste rápido de hanseníase representa uma importante vantagem para o controle da doença em Manaus, pois possibilita a triagem ágil de contatos de casos confirmados, com resultado rápido, fácil execução na atenção primária e sem necessidade de estrutura laboratorial complexa. Isso significa que pode ser realizado em consultórios nas Unidades Básicas de Saúde ou mesmo em domicílio”, destaca Cristina Malveira.

Transmissão

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada pelo Mycobacterium leprae, que tem como uma das características a evolução lenta, com um período de incubação em média de dois a sete anos, o que significa que há demora na manifestação de sinais e sintomas.

A transmissão ocorre de uma pessoa infectada pelo bacilo (sem tratamento) para uma pessoa sadia, por meio de gotículas de saliva eliminadas na fala, tosse ou espirro. As chances de transmissão são maiores quando o contato com a pessoa doente é próximo e prolongado.

O município de Manaus registrou no ano passado 106 casos novos de hanseníase, incluindo dez diagnosticados em menores de 15 anos, o que evidencia a manutenção da transmissão ativa da doença, em especial entre os familiares. Em 2024, o número de casos diagnosticados chegou a 85 em adultos e três em crianças.

De acordo com Cristina Malveira, apesar dos avanços e esforços nas redes de saúde, o controle da hanseníase no município ainda enfrenta desafios, especialmente com o diagnóstico tardio em muitos casos, e também com a persistência do estigma social, que dificulta a busca por atendimento e a adesão ao tratamento, assim como as desigualdades socioeconômicas e de acesso aos serviços de saúde.

“Além disso, estamos trabalhando para resolver situações como a cobertura irregular da busca ativa de contatos em áreas periféricas e de difícil acesso, bem como a necessidade contínua de capacitação e fixação de profissionais na rede básica. Esses fatores, em conjunto, mantêm a endemicidade da doença e exigem ações integradas de vigilância, assistência e educação em saúde”, afirma Cristina Malveira.

A Semsa disponibiliza o teste rápido de hanseníase nas Unidades de Saúde da Família (USFs) Manoel Ribeiro, Carlson Gracie e Carmen Nicolau (zona Norte); Lindalva Damasceno, Leonor de Freitas, Parque das Tribos e Mansour Bulbol (zona Oeste); Lúcio Flávio e Petrópolis (zona Sul); e Lago do Aleixo, Alfredo Campos e Severiano Nunes (zona Leste). Na zona rural, o exame é ofertado em domicílio.

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Texto – Eurivânia Galúcio / Semsa
Fotos – Divulgação / Semsa