Oficina propõe integrar a família na ressocialização de jovens infratores
29/09/2016 17h43

Pais e familiares de adolescentes das cinco unidades do sistema socioeducacional de Manaus participaram, na manhã desta quinta-feira, 29, de uma oficina promovida pelo Núcleo de Saúde da Criança e do Adolescente da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), no auditório da Universidade Paulista, na zona Centro-Sul da cidade.
O encontro, realizado em parceria com o Ministério da Saúde e Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), buscou discutir com os familiares a questão da corresponsabilidade na ressocialização dos adolescentes privados de liberdade.
“Com a família envolvida, o resultado aparece e é muito positivo. Queremos despertar os familiares para uma reflexão, a partir do olhar interno de cada um. A orientação da secretaria é para que todas as unidades dos nossos Distritos de Saúde façam o atendimento e acompanhamento permanente desses jovens”, ressaltou a diretora em exercício do Departamento de Atenção Primária da Semsa, enfermeira Adriana Dias.
A oficina foi a segunda etapa de um projeto que visa ampliar a rede de atendimento aos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas determinadas pela Justiça em razão de atos infracionais. “É muito importante que a família interaja nesse processo de ressocialização. Não adianta só obedecermos aquilo que o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição Federal preconizam. O apoio familiar é fundamental para que esses jovens voltem ao convívio em sociedade, sem cometer novas infrações”, explicou a secretária adjunta da Sejusc, Socorro Cavalcante.
Como parte da programação, foi realizada uma dinâmica integrativa com o pratictioner de neurociência e consultor comportamental, Adi Lancaster, membro do Instituto Internacional do Comportamento Humano. Um dos temas abordados por ele foi a “Inteligência do Relacionamento Familiar”, no qual ele destacou a necessidade do diálogo como forma de integração entre os membros de uma família. A tecnologia, segundo ele, vem isolando, cada dia mais, os indivíduos de um mesmo núcleo familiar. “Hoje, 70% das relações familiares são monossilábicas, o que prejudica a saúde relacional, e é um comportamento típico de uma relação doente”, afirmou Lancaster.
Um dos participantes da oficina, Francisco das Chagas Melo, 35, tem um cunhado, de 15 anos, cumprindo medida no Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa. Para ele, atividades como a de hoje representam um avanço no sistema socioeducacional. “Ótimo esse incentivo para as famílias. Por mim, haveria um evento todo mês, orientando não só os jovens, mas nós, que temos a responsabilidade de orientá-los”, disse.
Em Manaus são cinco as Unidades de Atendimento Socioeducativo no Sistema do Meio Fechado (internação): Dagmar Feitosa, no Alvorada I; Senador Raimundo Parente, na Cidade Nova II; Marise Mendes (feminino), no D. Pedro; Centro Socioeducativo de Semiliberdade, na avenida Constantino Nery e Unidade de Internação Provisória, na Estrada dos Franceses.
Em todas elas, os atendimentos e acompanhamentos médicos e odontológicos dos jovens são realizados pelas Unidades Básicas de Saúde da Prefeitura de Manaus, que foi habilitada para o atendimento na Atenção Integral à Saúde de adolescentes em conflito com a lei, por meio da Portaria Ministerial nº 129 de fevereiro 2015.
Texto: Sandra Monteiro
Fotos: Divulgação / Semsa
Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa): 92 3236-8315


