Patrimônio histórico une memória, pertencimento e futuro na transformação urbana da Prefeitura de Manaus

Por Prefeitura de Manaus

17/08/2026 14h53

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Patrimônio #paratodosverem – Diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, acompanhado de equipe, durante percurso no largo de São Sebastião, no centro de Manaus

Preservar a história de uma cidade não significa mantê-la parada no tempo. Na capital amazonense, os patrimônios históricos vêm sendo tratados como parte de uma estratégia mais ampla de transformação urbana, que busca conciliar memória, pertencimento, novos usos, atividade econômica, turismo e qualidade de vida. No Dia Nacional do Patrimônio Cultural, celebrado nesta segunda-feira, 17/8, a Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), reforça a importância de manter vivos os espaços que contam a história da capital e, ao mesmo tempo, prepará-los para o futuro.

O debate ganha ainda mais relevância após o reconhecimento dos “Teatros da Amazônia” — Teatro Amazonas, em Manaus, e Theatro da Paz, em Belém — como Patrimônio Mundial da Unesco. O título amplia a projeção internacional da capital e também aumenta a responsabilidade sobre a preservação dos bens culturais e a qualificação de seus entornos.

Para o diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, a conquista internacional é resultado de um trabalho coletivo que teve participação técnica direta do município.

“O Implurb não está apenas para celebrar esse momento importante. Tivemos participação técnica na construção da candidatura que levou ao reconhecimento internacional. Colaboramos com o dossiê técnico coordenado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com levantamentos cadastrais, estudos de uso e ocupação do solo, informações sobre infraestrutura urbana, mobilidade, comércio e serviços, além de dados sobre o entorno do Teatro Amazonas e do largo de São Sebastião e das intervenções realizadas pelo programa Nosso Centro”, destacou Peixoto.

Reconhecimento

Segundo Peixoto, o reconhecimento também reforça uma compreensão fundamental sobre a preservação: patrimônio e desenvolvimento urbano não são conceitos opostos. “Preservar não significa congelar a cidade. O patrimônio precisa estar integrado à vida urbana, e o programa Nosso Centro trabalha justamente nessa perspectiva de trazer mais vida, turismo, negócios e cultura para o Centro de Manaus”, afirmou.

Para o gestor, a preservação deve ser compreendida como uma ferramenta de construção do futuro. “Patrimônio é memória, mas também é futuro. Preservação e desenvolvimento caminham juntos. Quando recuperamos um espaço histórico, damos a ele novos usos, trazemos pessoas de volta, movimentamos a economia e fazemos a memória da cidade continuar fazendo parte da vida da população”, ressaltou.

Novos usos para uma cidade viva

Essa integração entre preservação e transformação urbana está entre os princípios do programa Nosso Centro. De acordo com o vice-presidente do Implurb, arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, a estratégia passa por identificar imóveis históricos, vazios urbanos e edificações que podem receber novos usos sem perder sua importância para a memória da cidade.

“O Nosso Centro tem um eixo chamado Mais História, que trabalha exatamente essa questão da preservação, inclusive quando ela acontece por meio de uma reconversão e de um novo uso. O casarão Thiago de Mello é um exemplo: antes era uma residência e hoje abriga a sede do Conselho Municipal de Cultura (Concultura). O casarão São Vicente também integra essa estratégia e será transformado em um hub de inovação”, detalhou.

Para Cordeiro, a preservação precisa estar associada à capacidade de o imóvel continuar cumprindo uma função na cidade. “Todo esse conjunto precisa ser preservado, mesmo que seja necessário fazer uma reconversão de uso para que a edificação possa funcionar novamente e fazer parte não apenas da história, mas da própria ambiência urbana do Centro”, pontuou.

Outro exemplo é a rua Ferreira Pena, que passa por projeto de requalificação dentro do Nosso Centro. A proposta é fortalecer a vocação gastronômica e cultural da área e, ao mesmo tempo, estimular a circulação de pessoas. “A ideia é resgatar o Centro e trazer as pessoas de volta para a nossa cidade, seja para se divertir, fazer compras ou morar. O próprio programa tem essa diretriz de retomar a habitação no Centro”, destacou Cordeiro.

Diversidade de usos

A recuperação do centro histórico depende também da manutenção da diversidade de atividades. Comércio, serviços, moradia, gastronomia, cultura e turismo devem conviver no mesmo território. “A melhor coisa para uma cidade é a diversidade de usos. Você ter comércio, serviço e habitação. É isso que, logicamente, o programa Nosso Centro procura”, afirmou.

Segundo Cordeiro, a participação do poder público é fundamental para iniciar processos de revitalização, mas a transformação de áreas centrais exige continuidade e a participação de diferentes setores.

“A revitalização de uma área central que se degradou durante décadas vai acontecer durante décadas. Inicialmente, é sempre o poder público que investe. Agora, com a segunda etapa do Nosso Centro, existe a necessidade de contar também com parceiros da iniciativa privada para que outros projetos e programas possam ser desenvolvidos”, explicou.

A rua Ferreira Pena é apontada como exemplo dessa possibilidade. Com a presença de bares e restaurantes, a requalificação urbana pretende potencializar a atividade existente e estimular a chegada de novos negócios, como restaurantes, galerias de arte e outros empreendimentos, sem eliminar os usos já consolidados.

Patrimônio como identidade

A preservação também está diretamente ligada à identidade da população. Os imóveis históricos não devem ser vistos apenas como estruturas antigas, mas como registros materiais de diferentes períodos da formação de Manaus.

“É importante reconhecer que essas edificações tiveram sua importância no passado, principalmente durante a época áurea da borracha, e que precisam ser incorporadas ao nosso presente para a preservação do futuro. Quando você preserva, está preservando não apenas a história, mas a identidade de um povo”, afirmou Cordeiro.

Essa identidade, segundo ele, é formada pela diversidade cultural que caracteriza a própria construção de Manaus e do Amazonas. “A identidade do povo manauara e amazonense é diversa. Várias culturas foram somadas à nossa, incluindo as culturas indígena e ribeirinha. É importante reconhecer isso, trabalhar para que esse patrimônio seja resgatado e fazer com que ele possa participar da construção de um futuro melhor”, concluiu.

A recuperação do patrimônio e a revitalização do centro histórico são processos contínuos, que dependem de investimentos públicos, participação privada, preservação técnica e, principalmente, apropriação da cidade pela população.

#paratodosverem – Edificações no centro de Manaus

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Texto – Divulgação/Implurb

Fotos – João Viana e Divulgação/Semcom