Oferta de teste rápido, vacinação e preservativos é intensificada pela Prefeitura de Manaus em campanha contra Hepatites Virais
07/07/2026 13h27
#paratodosverem – Idoso recebendo atendimento de profissional da Semsa durante ações de saúde
Como parte da programação da campanha do “Julho Amarelo”, profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), da Prefeitura de Manaus, preparam diversas ações para a prevenção e controle das Hepatites Virais, infecções que atingem o fígado e são causadas pelos vírus A, B, C, D e E.
As hepatites virais mais comuns no Brasil são causadas pelos vírus A, B e C, sendo que os tipos B, C e D causam grande preocupação, porque podem se tornar crônicas. Em Manaus, no ano passado, a hepatite B foi a causa básica de 15 óbitos, com mais 16 por hepatite C e dois por hepatite D.
A chefe do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecção Sexualmente Transmissível (IST) e Hepatites Virais da Semsa, Thayná Saraiva, explica que os tipos B e C podem ser transmitidas por meio da prática sexual desprotegida, sem uso de preservativos, com uma pessoa infectada, e muitas vezes não apresentam sintomas, o que resulta no diagnóstico tardio.
“As hepatites virais são consideradas doenças silenciosas, sem sintomas, e isso acaba dificultando o diagnóstico precoce, que é fundamental para que o tratamento possa ser efetivo e para o controle da progressão da doença. Não existe cura definitiva para a hepatite B, mas o tratamento adequado, em tempo oportuno, pode controlar a progressão da doença e evitar o agravamento e complicações, como cirrose ou câncer do fígado”, alerta Thayná Saraiva.
Para a prevenção, a rede municipal de saúde disponibiliza preservativos internos (femininos) e externos (masculinos) de forma gratuita nas unidades de saúde, e também a vacina contra a hepatite A e vacina contra hepatite B, que ainda protege contra a infecção pela hepatite D, já que o tipo D depende da presença do vírus B para se multiplicar.
Thayná lembra, que, além da relação sexual, as hepatites virais podem ser transmitidas por contato sangue de pessoa já infectada por meio de objetos perfurocortantes, como agulhas, alicates, material para tatuagem, instrumentos de manicure, ou contato com secreções, além de mãe para filho na gestação e parto, especialmente no caso da hepatite B.
“O mais importante são as medidas de proteção, com a imunização, uso de preservativos e o cuidado no uso dos objetos perfurocortantes. Mas também é fundamental a realização regular de exames para o diagnóstico precoce”, orienta Thayná.
Para o diagnóstico, a Semsa disponibiliza nas unidades de saúde o teste rápido para as hepatites B e C, assim como HIV e sífilis. Realizado a partir da gota de sangue retirada da ponta do dedo do paciente, o teste rápido pode ser oferecido sem necessidade de estrutura laboratorial e disponibiliza o resultado em 30 minutos.
“Para realizar o exame, é necessário procurar a unidade de saúde mais próxima da residência. Neste mês, durante o ‘Julho Amarelo’, todas as as unidades estarão intensificando a oferta do teste rápido, assim como as ações de Educação em Saúde para orientar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce”, informa Thayná.
De janeiro a 10 de junho deste ano, o município de Manaus já registrou 113 casos de hepatites virais, sendo 62 casos de infecção pelo vírus B, 49 pelos vírus C, um pelo vírus A e um pelo vírus D.
“O vírus da hepatite A é transmitido principalmente por contato oral-fecal, estando ligada ao consumo de água e alimentos contaminados, higiene pessoal e saneamento básico inadequados. A vacina está disponível dentro do calendário infantil no Sistema Único de Saúde (SUS), e também para grupos prioritários, como pessoas com doenças hepáticas crônicas, pessoas que vivem com HIV e usuários de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV)”, explica Thayná.
Mesmo que na maioria das vezes seja uma infecção silenciosa, a hepatite pode apresentar sintomas como tontura, enjoo, vômitos, cansaço, febre, mal-estar, fezes claras, urina escura, dor abdominal, pele e olhos amarelados.

Temáticas
Durante a campanha “Julho Amarelo”, um dos temas abordados será o cuidado em biossegurança do profissional de saúde, de forma a evitar os riscos de exposição ocupacional e garantir ambientes de trabalho mais seguros para proteger tanto os profissionais quanto os usuários dos serviços de saúde.
A enfermeira Ylara Enmily da Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, IST e Hepatites Virais da Semsa, ressalta que as hepatites virais, especialmente as hepatites B e C, são um dos principais agravos relacionados à exposição ocupacional, já que acidentes com material biológico podem resultar na transmissão de diversos agentes infecciosos.
“O principal risco é a exposição a sangue e outros fluidos biológicos potencialmente contaminados, principalmente por meio de acidentes com perfurocortantes, respingos em mucosas ou contato com pele não íntegra. Portanto, discutir biossegurança significa fortalecer a prevenção e reduzir acidentes no ambiente de trabalho”, aponta Ylara Costa.
Fora o risco biológico, a enfermeira lembra que esses acidentes geram impactos psicológicos importantes, como ansiedade durante o acompanhamento pós-exposição, necessidade de profilaxia quando indicada, afastamentos e repercussões na saúde ocupacional.
De acordo com Ylara Costa, todos os trabalhadores que mantêm contato direto ou indireto com material biológico devem ser contemplados pelas ações de prevenção. Entretanto, alguns grupos apresentam maior frequência de exposição, como equipes de enfermagem, odontologia, medicina, laboratórios, vacinação, centros cirúrgicos, urgência e emergência, e profissionais responsáveis pela limpeza, coleta e manejo de resíduos de serviços de saúde.
“A prevenção é baseada em um conjunto de medidas já consolidadas, o cumprimento rigoroso das Precauções Padrão, incluindo o uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), vacinação completa contra hepatite B, descarte imediato de perfurocortantes em coletores apropriados, capacitação permanente das equipes, disponibilidade de protocolos para atendimento pós-exposição, notificação imediata dos acidentes e acompanhamento clínico-laboratorial do trabalhador”, conclui Ylara.

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Texto – Eurivânia Galúcio/Semsa
Fotos – Divulgação/Semsa


