Prédio da Galeria Espírito Santo dá nova contribuição à história de Manaus
08/08/2014 11h32
Originalmente construído no período áureo da borracha, no início do século 20, o prédio que abriga hoje a Galeria Espírito Santo deixa mais uma vez sua contribuição à história de Manaus por ser o primeiro espaço definitivo a receber os ex-camelôs, agora microempreendedores, realocados do centro histórico da cidade.
Aquela época, a família que dá nome ao imóvel, J.G. Araújo, fez história nos anos 20 e 30, como pioneira na industrialização e beneficiamento da borracha. Agora, em 2014 volta ao pioneirismo de ter sua antiga Usina Rosas, na rua Joaquim Sarmento esquina com 24 de Maio, escrevendo outra história comercial, incorporando um patrimônio histórico à dinâmica contemporânea da sociedade atual.
“Todo o lugar foi projetado e criado com seus corredores, posições de escadas, passagens, passarelas, tudo para ter um espaço comercial energizado, onde todos os recantos são propícios e incentivam à circulação de pessoas no prédio”, explica o arquiteto Roberto Moita, presidente do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb).
O projeto é de autoria da equipe do Implurb, que também assina os projetos e plantas das duas galerias populares definitivas que serão entregues: a dos Remédios, na rua Miranda Leão, Centro, e o Shopping T4, na avenida Camapuã, Jorge Teixeira, zona Leste.
Por ser antigo o prédio da Galeria Espírito Santo, também há um resgate da memória da cidade: “A incorporação desses prédios, incluindo o da futura Galeria dos Remédios, que tem edificação histórica, é também uma forma de homenagem, pois cada imóvel tem uma história e ela é relembrada com o novo uso”.
A história da J.G. Aráujo, por exemplo, começou em 1879, quando a empresa familiar foi fundada, tornando-se uma das mais ricas e prósperas de Manaus, sob a gerência do comendador Joaquim Gonçalves de Araújo.
Externamente, a fachada histórica e tombada foi preservada, com seus tijolos característicos da arquitetura dos anos 20, e o local, onde já funcionou a primeira usina de beneficiamento de borracha, deu espaço para um empreendimento erguido em aço, em mais de três mil metros quadrados, com térreo, mezanino, 308 lojas, praças de alimentação, PAC Municipal e loteria.
Mudança
Quando os trabalhadores começaram a ser transferidos para as galerias provisórias, Maria do Perpétuo Socorro de Oliveira Freitas era uma das mais incrédulas sobre a possibilidade de manter suas vendas fora das ruas. Durante a mudança, conversou com o presidente do Implurb, arquiteto Roberto Moita, que garantiu a ela o sucesso do projeto. Na entrega das chaves aos novos microempreendedores, Maria do Socorro teve um novo encontro com Moita, que entregou a ela a chave do box, de número 87.
“Ele disse: nos encontramos de novo, mas agora em situação melhor, porque é um sonho realizado. Pegávamos sol e chuva, e agora vamos só baixar a porta e ir para casa, com dignidade”, comentou a empreendedora, que trabalhou nas ruas por 25 anos, acompanhando o pai, que também foi camelô. “O projeto é muito bonito, até me emociono. Estou feliz. Pena que meu pai não esteja aqui para ver esse resgate dos vendedores ambulantes. E para fazer isso tem que ter coragem. O prefeito Arthur Virgílio Neto teve e fez”. Para ela, agora, basta à população comprar a ideia e fazer uma visita à Galeria Espírito Santo.
Uma semana após a abertura da galeria, os microempreendedores da Galeria Espírito Santo mostram satisfação com a mudança. Exemplo é a comerciante Mirian Rosa, 39, vendedora no box 302. “A diferença é muito grande. Não estamos mais no sol, na chuva. Temos, agora, segurança e conforto. A expectativa é aumentar as vendas e acredito que o movimento será ótimo. Eu me sinto prestigiada por ser uma lojista daqui”, destacou.
“Estou satisfeito com meu novo local de trabalho. Ter uma loja sempre foi meu sonho e agora estou conseguindo realizá-lo. Não há reclamações e a diferença de se trabalhar na rua e de estar aqui, agora é extrema”, comentou o comerciante Ricardo Freitas, que trabalha com a assistência técnica de celulares.
Visitas
A aposentada Nazaré Alves, 63, aproveitou para conhecer a nova galeria e visitou o box de João Nunes, que há 30 anos amola alicates. Para a aposentada, o prédio ficou mais bonito, bem iluminado e organizado. “Ficou ótimo, um lugar que comporta tudo, ao mesmo tempo em que posso comprar, também posso sentar para comer e beber algo”, comentou.
Outro visitante do espaço foi André Almeida. Segundo ele, ao entrar no lugar, já se percebe a organização. “A prefeitura deixou o espaço bonito, mas apropriado para os comerciantes que estavam na rua. Ficou mais fácil visualizar os produtos que eles nos oferecem. Depois que estiver tudo funcionando, a expectativa é que fique ainda mais movimentado”, destacou.
Assessoria de Comunicação do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb): 92 3625-6287


