Manaus Moderna
27/10/2010 12h58
Falta de higiene, má conservação de carnes e peixes, presença de roedores e insetos e estrutura precária são algumas das irregularidades apontadas no laudo técnico da Diretoria de Vigilância Sanitária (Dvisa), órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), na inspeção realizada na Feira da Manaus Moderna, no Centro da cidade. O laudo saiu nesta segunda-feira, 29, e a inspeção foi realizada na última sexta-feira, 26.
De acordo com o diretor do órgão, Varcily Barroso, a fiscalização foi realizada a pedido da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab), que está acompanhando os efeitos da cheia do rio Negro nas feiras e mercados que ficam na orla da cidade. “O relatório será encaminhado ao secretário da Sempab para adoção das medidas necessárias”, afirmou Barroso.
No relatório da inspeção, a equipe, composta por seis fiscais de saúde, afirma que, em decorrência da cheia do rio há água empoçada na área dos boxes, retendo sujeiras e sobras de limpeza do pescado e tornando o local inadequado para o comércio de alimentos.
Para o veterinário Carlos Alberto de Andrade Junior, um dos fiscais da Dvisa que acompanhou a inspeção na feira, o local não possui as mínimas condições higiênico-sanitárias de funcionamento. “Muitos problemas já existiam antes da cheia. A água empoçada aumenta ainda mais o risco de contaminação e deterioração dos alimentos vendidos”, afirmou.
A medida mais adequada para garantir a qualidade dos alimentos e a saúde dos consumidores, conforme concluiu o laudo, é a transferência temporária dos boxes atingidos pela cheia, especialmente da área de carnes e peixes. “Alertamos para que o local escolhido atenda aos requisitos de higiene necessários ao adequado funcionamento, bem como as legislações sanitárias vigentes”, conclui o documento.
Ainda na sexta-feira, 26, a Sempab transferiu permissionários da Feira da Manaus Moderna para boxes construídos em madeira em frente à Feira da Banana.
Transferência
Antes da divulgação do laudo pela Dvisa, a Sempab já havia iniciado a retirada dos feirantes para bancas construídas em madeira, longe do local sem condições higiênicas. Mais de 200 metros de bancas foram construídos emergencialmente na avenida Beira-rio, em frente à Feira da Banana e do galpão de melancias. São 102 permissionários que estão vendendo peixes e carnes no novo local desde a manhã de domingo.
Nesta segunda-feira, 29, no primeiro dia de vendas em horário comercial, os peixeiros e açougueiros elogiaram a transferência. Apesar da estrutura improvisada, a nova feirinha é toda coberta em alvenaria, as bancas são mais amplas e estão instaladas em local bem ventilado. Até os feirantes que inicialmente eram contra a mudança acabaram reconhecendo que o mau cheiro da água parada incomodava os consumidores.
De acordo com o feirante Paulo Barros, as vendas aumentaram com a troca de local. Trabalhando na venda de peixe desde a inauguração da feira, ele aprovou a medida tomada pela Prefeitura. “Em vista das condições do pavilhão, aqui está muito melhor”, disse o peixeiro.


