Encontro promove debate sobre Zika Vírus e Microcefalia

Por Prefeitura de Manaus

13/12/2017 15h31

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Profissionais de saúde, acadêmicos de Medicina e familiares de crianças com microcefalia participaram, na manhã desta quarta-feira, 13/12, do 1º Encontro Amazonense de Microcefalia por Zika Vírus, realizado no auditório do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM).

O evento foi promovido pela Associação Brasileira de Neurologia, Psiquiatria Infantil e Profissões Afins (ABENEPI – Capítulo Amazonas), em parceria com Prefeitura de Manaus, abordando o tema “Interdisciplinaridade – Zika Vírus e Microcefalia: intervenções possíveis”.

Durante o evento, foram realizadas palestras sobre “Ações de combate ao Aedes aegypti em Manaus”, “Microcefalia: onde começou e hoje como está?”, “Oftalmologia – quais são os cuidados?”, “Fisioterapia – Porque fazer?”, “Fonoaudiologia – porque fazer?”, encerrando com uma mesa redonda com a participação de mães de crianças com microcefalia.

“O foco do encontro foi discutir o cuidado interdisciplinar voltado às crianças com microcefalia e que exige a atenção de profissionais de diferentes categorias. Também foi uma estratégia para fazer a escuta das famílias e identificar os principais problemas, e, assim, buscar soluções que possam atender as reais demandas dos pacientes atendidos na rede de saúde”, destaca o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi.

A microcefalia não é um agravo novo, alerta o secretário, sendo uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada e os bebês  nascem com perímetro cefálico menor que o normal, e que pode surgir por uma série de fatores de diferentes origens, como substâncias químicas, bactérias, vírus e radiação.

De acordo com o coordenador do evento, médico Francisco Tussolini, que atende como neurologista infantil na Policlínica Comte Telles, bairro São José, zona Leste, uma maior preocupação entre os profissionais de saúde com o tema surgiu a partir de 2015, quando o número de casos de microcefalia teve um aumento e foi identificada a relação da doença com os casos de Zika Vírus, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, durante a gestação.

“A microcefalia sempre existiu e apresenta uma série de complicações precisando de acompanhamento em fonoaudiologia, fisioterapia, oftalmologia e psicologia. Na parte neurológica há questões como oatraso no desenvolvimento neuropsicomotor, convulsões e transtornos do sono. O acompanhamento precisa ser multidisciplinar, com os profissionais falando a mesma linguagem e ouvindo as famílias, para que os gestores possam ter uma visão geral sobre o problema”, explica o médico.

Uma das participantes do encontro foi a dona de casa Claudilene Ferreira, moradora do bairro Colônia Antônio Aleixo. “A minha filha de dois anos nasceu em setembro de 2015, e já faço o acompanhamento em saúde na Policlínica Comte Teles, e resolvi participar do Encontro para obter mais informação sobre a doença. É importante não só para ajudar no desenvolvimento da minha filha, mas também para orientar outras mulheres”, destaca Claudilene.

Atualmente, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) realiza o acompanhamento de 43 casos suspeitos de microcefalia. Desse total, 17 foram confirmados como microcefalia, 12 foram descartados e 14 ainda estão sob investigação. Dos casos confirmados, sete estão associados ao Zika Vírus. A Semsa também acompanha outros sete casos de crianças vindas do município do interior do Amazonas.

Além de atenção aos casos suspeitos de Zika Vírus em gestantes durante o pré-natal, o fluxo de atendimento de casos suspeitos de microcefalia começa na maternidade, onde é feito o encaminhamento para atendimento nos 12 Ambulatórios de Seguimento do Bebê de Risco da Semsa, três em cada um dos Distritos de Saúde (Norte, Sul, Leste e Oeste).

“De acordo com a necessidade identificada nos ambulatórios, é feito o encaminhamento para o atendimento com um médico neurologista para fechar o diagnóstico. É preciso lembrar que a microcefalia não tem cura e a criança vai precisar ser acompanhada para o resto da vida, tanto na Atenção Básica como nas especialidades, focando na melhoria da qualidade de vida dessas crianças”, afirma a chefe do Núcleo de Saúde da Criança da Semsa, enfermeira Ivone Amazonas.

Prevenção

A Prefeitura de Manaus também atua na prevenção às doenças transmitidas pelo Aedes (dengue, zika e chikungunya), realizando o controle por meio dos agentes de endemias e Agentes Comunitários de Saúde com visita casa a casa, intensificação de atividades de educação em saúde com ampla implantação da estratégia 10 minutos contra o Aedes e, principalmente, o maior envolvimento dos moradores e de lideranças locais, além da continuidade de ações interinstitucionais com as demais secretarias do Município.

“É importante que haja o envolvimento de toda a população, que deve vistoriar a própria residência e quintais no mínimo uma vez por semana, já que o mosquito se reproduz em um ciclo que vai de sete a dez dias. A vistoria e eliminação de possíveis focos ajudam a evitar a reprodução do mosquito, reduzindo a transmissão das doenças”, informa a técnica do Departamento de Vigilância Ambiental da Semsa, Josielen Soares.

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Texto: Eurivânia Galúcio / Semsa

Fotos: José Nildo / Semsa

Disponíveis em: https://flic.kr/s/aHskpSmEu2

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Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa): (92) 3236-8315 / 98842-8370 / 98842-6059