Prefeitura de Manaus destaca importância da consulta de puericultura no crescimento e desenvolvimento das crianças
08/04/2026 15h44
#paratodosverem – Bebê no colo da mãe recebendo imunização
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), alerta para a importância das consultas de puericultura, que garantem a avaliação do crescimento e desenvolvimento adequados das crianças, e devem ser iniciadas ainda na primeira semana de vida do bebê, como estratégia para a redução no risco de morbimortalidade infantil.
A chefe do Núcleo de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente da Semsa, enfermeira Janaína de Sá Terra, informa que a puericultura é o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, de forma integral e periódica, do nascimento até a adolescência.
Seguindo o calendário definido pelo Ministério da Saúde, as consultas devem iniciar na primeira semana de vida, seguindo com consultas periódicas no primeiro ano, no 1º mês de vida, 2º mês, 4º mês, 6º mês, 9º mês, e no 12º mês; continuando com consulta com 18 meses de vida e depois ao completar dois anos.
“Esse é um calendário mínimo para as consultas. Depois dos dois primeiros anos, as consultas devem continuar uma vez ao ano, de preferência próximo ao aniversário da criança, mantendo um parâmetro para a comparação da evolução do desenvolvimento e crescimento”, explica Janaína Terra.
A enfermeira esclarece que as consultas podem ser feitas por médicos e enfermeiros de Família e Comunidade ou generalistas, voltadas para a promoção da saúde e prevenção de doenças, como a avaliação da situação vacinal e dos exames de triagem neonatal, observação da amamentação e alimentação complementar saudável, detecção precoce de possíveis alterações ou atrasos no desenvolvimento cognitivo, anamnese e exame físico, além de avaliar a saúde da mãe e detectar vulnerabilidades sociais que possam impactar na saúde da criança.
A consulta na primeira semana de vida, ressalta a enfermeira, é essencial para identificar alterações e intervir de forma oportuna para evitar evolução para internações ou o óbito.
“O cuidado inadequado do coto umbilical, por exemplo, pode levar a inflamações e reinternações. As dificuldades na amamentação, como problemas na sucção ou fissuras no mamilo, prejudicam a nutrição e alimentação do recém-nascido”, informa Janaína.
Durante as consultas de acompanhamento, caso o profissional identifique que a criança precisa da avaliação e manejo do especialista, é feito o devido referenciamento.
Segundo Janaína Terra, a mortalidade neonatal (0 a 27 dias de vida) passou a ser o principal componente da mortalidade infantil, em termos proporcionais, a partir do final da década de 80, em todas as regiões do país. “Na análise da mortalidade infantil, calculada em menores de um ano, os números mostram que cerca de 70% dos óbitos ocorrem ainda na primeira semana de vida da criança”, aponta a enfermeira.
Na continuidade do acompanhamento da criança na Atenção Primária, com a regularidade das consultas, a equipe de saúde mantém o monitoramento do desenvolvimento físico e neuropsicomotor.
Uma das estratégias para fortalecer o atendimento nas consultas de puericultura é a utilização da Caderneta da Criança, um instrumento fundamental na avaliação e coleta de informações sobre procedimentos e exames que precisam estar atualizados.
A Semsa também conta com um sistema de referência e contrarreferência para que a mãe já deixe a maternidade, após a alta hospitalar, com a primeira consulta de puericultura agendada. “A escolha da Unidade de Saúde para o agendamento da consulta é feita de acordo com a indicação da mãe a respeito do local em que ela estará residindo na fase do puerpério”, informa Janaína.
No atendimento aos recém-nascidos, há a orientação para avaliação com o cirurgião-dentista. A técnica da gerência de Saúde Bucal da Semsa, odontopediatra Kátia Vasconcelos, destaca que uma consulta odontológica logo nas primeiras semanas de vida da criança é importante para a detecção precoce de problemas como a língua presa (anquiloglossia), condição que vai trazer prejuízos no momento da amamentação e deve ser corrigido com cirurgia.
“Se a criança nasce com a língua presa, muitas vezes não consegue sugar o seio corretamente para mamar e não vai ganhar peso de forma adequada, o que vai prejudicar seu desenvolvimento”, aponta Kátia Vasconcelos.
Na avaliação odontológica, o profissional também deve orientar sobre a higienização da boca da criança, que deve começar a ser feita com o nascimento dos primeiros dentes. “Tem que ser feita com escova própria, de tamanho compatível com o tamanho da boca da criança e com cerdas macias, com uso de pequena quantidade do creme dental, já que crianças pequenas não sabem cuspir. E o cirurgião dentista vai explicar os detalhes para os pais e responsáveis durante as consultas”, esclarece Kátia.
Na primeira consulta odontológica, os pais ainda vão receber orientação nutricional para o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, e também para evitar o açúcar na alimentação até os dois anos da criança, o que vai reduzir o risco de cárie dentária.
Kátia Vasconcelos explica que os pais ou responsáveis também são orientados sobre os riscos do uso de chupeta e mamadeira, que podem prejudicar a formação dos dentes, tornando necessário que a criança faça tratamento ortodôntico no futuro.
“As crianças devem continuar o acompanhamento de rotina com o cirurgião-dentista, especialmente para verificar se os dentes estão nascendo normalmente. É importante que esse acompanhamento ocorra de forma preventiva e não somente quando a criança sente dor. A limpeza dos dentes e a aplicação do flúor vão evitar a necessidade de procedimentos mais complicados, que exigem procedimentos como anestesias, que podem causar dor e deixar a criança com medo”, concluiu Kátia Vasconcelos.

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Texto – Eurivânia Galúcio/Semsa
Fotos – Divulgação/Semsa


