SOS Enchente chega ao segundo mês com dados significativos
19/06/2012 10h49
Pouco mais de 40 dias depois de ter sido lançado, o Plano Emergencial SOS Enchente já apresenta dados consistentes das ações da Prefeitura de Manaus para minimizar os impactos da maior cheia dos últimos cem anos na capital. O plano envolveu secretarias e órgãos da administração municipal: secretarias municipais de Saúde (Semsa), Limpeza Pública (Semulsp), Assistência Social e Desenvolvimento Humano (Semasdh), a Subsecretaria de Defesa Civil e o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans).
Pela Saúde o plano envolveu um efetivo de aproximadamente 1,8 mil servidores que foram divididos em diversas ações, como realização de visitas a todas as casas das áreas críticas visando à identificação de situações de risco para doenças. Mais de 28,6 mil visitas domiciliares já foram realizadas desde o início do programa, no dia 7 de maio. A ação vem acontecendo em 15 bairros da cidade – 7 da zona Sul; 3 da zona Oeste, 4 da zona Norte e 5 da zona Leste –, com áreas afetadas pela cheia dos rios.
Está sendo realizado o monitoramento das doenças diarréicas e de veiculação hídrica. Durante as visitas foram registrados 1.710 casos de doenças diarréicas. Aqueles de maior gravidade foram encaminhados para atendimento nas Unidades Básicas de Saúde ou Serviços de Pronto-Atendimento. Os demais receberam acompanhamento em domicílio, incluindo a disponibilização de soro oral, para combater quadro de desidratação, associado à diarreia.
A Secretaria distribuiu mais de 11,2 mil frascos de hipoclorito e 6,6 mil pacotes de soro oral para combater essas doenças além do levantamento da situação vacinal das famílias, provendo a imunização, conforme as necessidades identificadas. Mais de 7,6 mil doses de vacinas já foram aplicadas. Foram realizadas atividades de educação em saúde, com distribuição de material informativo sobre as doenças relacionadas à água e ao lixo doméstico. Já foram distribuídos mais de 7,3 mil panfletos informativos.
Na área do trânsito, o Manaustrans começou a interditar trechos do centro da cidade a partir do dia 25 de abril, na rua dos Barés, esquina com a av. Joaquim Nabuco. A Ponte dos Bilhares teve que ser totalmente interditada em maio. Com o fechamento, o retorno no sentido centro/bairro teve que ser feito na mesma avenida, a um quilômetro depois da ponte, no semáforo em frente à panificadora Cíntia. O canteiro central desse trecho da avenida foi reaberto, excepcionalmente, pelo Manaustrans enquanto o retorno embaixo da ponte estiver fechado. No início da segunda quinzena de maio, o acesso ao Terminal Central da Praça da Matriz foi proibido para veículos de passeio. Somente veículos do sistema de transporte coletivo puderam circular no local. Uma semana depois, os ônibus executivos também foram proibidos de trafegar pela área.
No dia 28 de maio, foi proibido o estacionamento nas ruas 10 de Julho, 24 de Maio e Epaminondas. Na Rua Lobo D’Almada ficou permitida apenas a entrada de moradores.
Na primeira semana de junho, o Terminal Central da Praça da Matriz foi completamente interditado. A decisão foi divulgada pela comissão do SOS Enchente da Prefeitura de Manaus, após constatarem que as vias utilizadas pelos coletivos estavam afetadas pela enchente do rio Negro e já representavam insegurança para a circulação de ônibus, pedestres e usuários do transporte coletivo.
Com a descida do nível dos rios, o Manaustrans começou a liberar algumas vias que estavam alagadas e interditadas. A primeira delas foi a rua Lima Bacuri, no trecho entre a rua Isabel e avenida Lourenço da Silva Braga, e o trecho da avenida Lourenço da Silva Braga (sentido Manaus Moderna / Educandos), embaixo da ponte Juscelino Kubsitchek. O acesso voltou a ser liberado após análise do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Transito (Manaustrans) que constatou a redução da água represada na via. O Manaustrans continua monitorando todas as ruas do centro da cidade atingidas pela enchente e vai fazer a reabertura das áreas após avaliar que águas não afetaram o asfalto e, portanto, não comprometem a segurança do tráfego no local.
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) cadastrou 6.000 famílias na zona urbana de Manaus, residentes em 27 bairros, e outras 400, na zona Rural de Manaus, residentes em 11 áreas diferentes.
Para as primeiras a Semasdh viabilizou cheques no valor de R$ 600, a quem coube definir qual a necessidade emergente, se aluguel de imóvel, compra de madeira para construção, aquisição de alimentos ou roupas.
Já aos moradores de áreas do entorno da cidade foram entregues, em barcos e lanchas, cestas básicas, garrafões de água de 20 litros, redes, lençóis de cama e hipoclorito de sódio.
A Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) participa da operação emergencial SOS Enchente, promovendo a limpeza dos igarapés. Desde o dia 8 de maio até a quinta-feira, 14 de junho, já foram retiradas cerca de 2 mil toneladas de lixo de vários trechos de igarapés de Manaus.
Para esse trabalho a Semulsp mobilizou um efetivo de 300 trabalhadores e ainda carros pequenos e máquinas pesadas, balsas, dez botes de alumínio, caminhões, escavadeiras hidráulicas, balsas e empurradores.
Mensalmente, a Semulsp gasta cerca de R$ 500 mil na limpeza de igarapés (isso inclui desde mão de obra, transporte, equipamentos, alimentação, armazenamento, etc) – colocando equipes de 60 pessoas para limpar três trechos de igarapés, diariamente.
Porém, na cheia, no mês de maio, a mobilização de mais gente, combustíveis, alimentação, etc, alterou o valor para aproximadamente R$ 1,6 milhão/mês.
O programa SOS Enchente tem maior concentração nas áreas do Igarapé de São Raimundo (Glória, São Raimundo, Santo Antônio, São Jorge, Aparecida, Matinha), mas também já executou ações no Coroado, Aterro do 40, Mauazinho, Raiz, Cachoeirinha, Educandos, Morro da Liberdade, Igarapé da Silves, São Lázaro, Crespo, Compensa etc.
A Defesa Civil do Município atuou principalmente na retirada de moradores de áreas de risco, construção de pontes de madeira e doação de madeiras. Por recomendação dos técnicos do órgão, foi descartada a construção de marombas porque o sobrepeso nas estruturas das casas colocaria em risco a vida dos moradores, principalmente quando a água começasse a baixar.
Moradores de treze bairros receberam madeira e outros materiais necessários para a construção das pontes, totalizando mais de seis mil metros construídas. Mais 4544 metros lineares de passarelas foram contruídos pela própria prefeitura entre os dias 21 de março e 21 de maio.
REPORTAGEM: LEONARDO FIERRO


