Secretário defende participação popular no planejamento urbano na Copa 2014
14/09/2012 17h52
O secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra, fez a defesa veemente da participação popular no planejamento urbano de todas as obras sustentáveis voltadas à Copa 2014, durante o Seminário “Copa 2014: Oportunidades para a Sustentabilidade Urbana”. O evento ocorreu em Brasília nos últimos dias 12 e 13, reunindo representantes das prefeituras e governos estaduais das 12 cidades-sedes da Copa do Mundo 2014. Marcelo Dutra representou a Prefeitura de Manaus, se apresentando juntamente com os representantes da cidade do Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
O secretário deu início à apresentação citando o combate às invasões durante a gestão que impediram a fundação de novos bairros sem estrutura. Conter o crescimento desordenado, na opinião do secretário, é o primeiro passo para o desenvolvimento sustentável de Manaus. A partir daí passou a discorrer sobre as ações do Programa Manaus Mais Verde, que permitiram à cidade desenvolver estudos e ações que resultaram no Plano Diretor de Arborização, o mapeamento das Ilhas de Calor, o plantio de mudas regionais e a parceria com a UFAM para a criação do primeiro Banco de Sementes Municipal, que além de fornecer número suficiente de sementes mensais de qualidade é capaz de fornecer ainda para outras cidades do estado, se assim quiserem.
O secretário lembrou que Manaus criou unidades de conservação e que elas vem passando por uma processo de participação, com a criação dos conselhos gestores, além de auxiliar na composição paisagística da cidade, influenciando inclusive no microclima, na redução da temperatura e poluição sonora. Ele observou que a cidade sofre com problemas de vandalismo que depreda as mudas e impede o avanço da arborização e da requalificação ambiental. Lembrou que para abrir ciclovias na cidade é necessário um bosqueamento no percurso, pois Manaus, ao contrário do Brasil Central, tem elevados índices de umidades o que causa desconforto físico.
Por fim, destacou que o mais importante é preparar a cidade para as pessoas e não para apresentá-las na Copa. As pessoas precisam interagir mais com as ações da Copa ou voltadas para a Copa de forma a se sentirem mais parte do processo. Ele disse que seja no Rio de Janeiro, Manaus ou em São Paulo, o problema se repete. “Se perguntar a alguém como estão as obras da Copa, provavelmente poucos responderão pois a sociedade (comunidade) local não foi chamada para as etapas dos programas, não auxiliou e nem foi ouvida no preparo das ações, não opinou e portanto não se sente dona do legado”, afirmou.
Segundo ele, Manaus, mesmo sendo a sexta maior cidade do país, possui um falso PIB que a classifica como a quarta mais rica, pois a vida econômica e financeira do distrito industrial é comandada por São Paulo e portanto, gera a riqueza mais não fica na cidade. Lembrou que o legado da Copa não será apenas em obras, mas em comportamentos e atitudes. “As obras têm que ter destinação após a Copa e o fato de trazer as pessoas para o processo de planejamento, projeção e execução são fundamentais”, ressaltou.


