Mulheres provam competência e compromisso no poder público municipal
08/03/2012 10h57
O quadro do serviço público municipal conta com 19.200 mulheres, o que representa 64% do total de 30 mil servidores. Colocadas à prova todos os dias, elas usam de competência e habilidade quando têm de lidar com o preconceito por atuar em cargos antes destinados aos homens.
Há 12 anos como agente de trânsito, e dois anos na função de gerente de fiscalização, a química Lucijane Barros garante que passa por cima de qualquer descriminação de cabeça erguida. “Como controladoras de trânsito, somos respeitadas pelos condutores, mas na hora de fiscalizar e autuar por infrações, sofremos até agressões”, afirma a agente. “Pelo fato de ser mulher, considerada sexo frágil, algumas pessoas aproveitam para ofender verbalmente, mas não deixamos que isso atrapalhe nosso desempenho”.
Atualmente, Lucijane Barros lidera uma equipe, que tem homens em maioria. “Temos apenas seis agentes mulheres, que se revezam em atividades de fiscalização, além de educadoras no trânsito. Podemos sofrer um pouco mais os abusos dos condutores, mas todas conhecem os desafios e sabem como enfrentá-los”, destaca a gerente.
No posto de gari há cinco meses, Liciane Costa diz que a missão de deixar a cidade limpa é pesada e cansativa, no entanto também é gratificante quando reconhecida pela população. “Ser mulher proporciona vantagem porque naturalmente somos delicadas e trabalhamos com mais cuidado, como se fosse para nossa família. Essa característica tem mudado o pensamento preconceituoso das pessoas”, comenta a gari, grávida de dois meses. “É claro que se as pessoas ajudassem a manter a cidade limpa seria melhor ainda”.
Para a professora Soraya Freire, que trabalha com alunos de 10 a 12 anos, do ensino fundamental da Escola Municipal Thomaz Meireles, a mudança de postura em relação à mulher começa na sala de aula. “Conseguimos apresentar para as crianças o papel da mulher na sociedade com atividades voltadas para o público feminino, quebramos barreiras”, enfatiza a educadora, há 23 anos na área. “Como professora me sinto no dever e tenho a satisfação de sensibilizar os alunos sobre a mulher batalhadora, que é mãe de família e todo dia sai de casa para lutar pelo seu espaço”.
Soraya Freire é conhecida por conquistar premiações nacionais com assuntos que abordam a prevenção das drogas, abuso e violência sexual, combate ao trabalho infantil, além da educação no trânsito e ambiental. “Os temas surgem conforme a realidade dos alunos. A escola precisa ultrapassar os muros e compartilhar o debate entre pais e filhos”, reforça a professora.
Políticas públicas para as mulheres
Para atender as necessidades básicas do público feminino, a Prefeitura Municipal de Manaus desenvolveu ações focadas tanto no combate contra a violência quanto na saúde. Este último conta com atividades como prevenção e controle ao câncer de colo de útero e de mama por meio de exames em mulheres na faixa etária de risco, 25 a 59 anos.
Entre os destaques estão as Unidades Móveis de Saúde da Mulher, as “Carretas da Mulher”, que oferecem gratuitamente exames de mamografia, ultrassonografia e coleta de material para exame preventivo do colo de útero.
Outro serviço fica por conta da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), que disponibiliza um canal de comunicação para receber denúncias de violência física ou psicológica contra a mulher, além de outros crimes como assédio sexual em ônibus e terminais de passageiros.
O Disque-Mulher – 0800-092-6644 – apura todas as chamadas que relatam a violação dos direitos das mulheres como, violência doméstica, ameaças, lesão corporal, calunia, injuria ou difamação, perturbação da tranquilidade, constrangimento ilegal, maus-tratos, violação de domicílio, estelionato, assedio sexual, tentativa de homicídio, cárcere privado, entre outras.
O programa atua também em parceria com a Assistência Social do governo estadual, integrando a rede nacional de apoio a mulher da Política Nacional de Enfrentamento a Violência contra a Mulher. Neste caso, atua com o Serviço de Apoio Emergencial a Mulher (SAPEM) e a Casa Abrigo “Antonia Nascimento Priante”, para onde são encaminhadas as vitimas sem condições financeiras imediatas de se afastar do agressor.


