Mobilização no Centro marca o Dia Nacional de Luta Antimanicomial
19/05/2015 11h59

O Largo São Sebastião, no Centro, recebeu, na tarde desta segunda-feira, 18, uma mobilização social com trabalhadores, usuários e familiares de usuários da Rede de Atenção Psicossocial de Manaus em comemoração ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial. O ato foi organizado pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).
Uma caminhada no entorno do Largo, ao som do ‘Maracatu Quebra-Muro’, marcou a importância da luta por um tratamento digno oferecido às pessoas em situação de sofrimento psíquico e mostrou como a substituição do antigo modelo hospitalocêntrico de internação e encarceramento vem sendo feita em Manaus.
“A utilização dos dispositivos alternativos aos manicômios são passos fundamentais para a melhor qualidade de tratamento e de vida para esses usuários. A política de saúde mental no município é prioridade do prefeito Arthur Virgílio Neto”, destacou o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Neto.
No município, os atendimentos oferecidos por intermédio dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) tratam de transtornos graves e moderados em dois locais. O primeiro na Avenida Borba, Cachoeirinha, zona Sul, que recebe casos identificados em adultos com história de internação psiquiátrica, psicoses, esquizofrenia e outros sofrimentos psíquicos graves e crônicos, como depressão grave, ansiedade crônica, transtorno bipolar e de humor.
O segundo Caps funciona no conjunto Acariquara, no Coroado, zona Leste, voltado para crianças e adolescentes que convivem com autismo, esquizofrenia, depressão, déficit de atenção ou hiperatividade. O atendimento é individual ou em grupos, com oficinas terapêuticas, visitas domiciliares, acompanhamento das famílias e atividades comunitárias.
“As atividades terapêuticas nos Caps são realizadas por uma equipe multidisciplinar e despertam o interesse e a integração dos usuários com os familiares e a comunidade. Para ser atendido no Caps, o usuário pode se dirigir diretamente ao Centro ou ser encaminhado por uma unidade de saúde. Em seguida, será acolhido e passará pela triagem com a equipe multiprofissional (anamnese). Após a avaliação inicial, cada caso será discutido em equipe para, então, ser definido se condiz ou não com o que o Caps oferece”, explicou a gerente da Rede de Atenção Psicossocial da Semsa, Efthimia Simões Haidos.
Para quem já passou pelo encarceramento e, muitas vezes, por maus tratos em situação de internação ou mesmo em família, o atual cenário de acompanhamento do estado psíquico, de acordo com o que estabelecem as legislações, demonstra, além de avanço, respeito aos indivíduos. “Muitas vezes nem nossas famílias nos entendia e sofríamos juntos, eu e eles, pela incompreensão dos nossos tormentos. E, quando chegamos no Caps, como eu que já estou em tratamento há um ano, é um alívio poder contar com o carinho e a dedicação de pessoas que são profissionais e sensíveis com nossa dor”, declarou a dona de casa Neide Silva, de 52 anos.
Novos serviços
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) está em busca da restruturação do atendimento psicossocial a partir da inauguração de dois novos serviços de atendimento, ainda em 2015. São eles o Caps AD 3 para tratamento de pacientes com problemas alcoólicos e de outras drogas e o Caps 3 para o atendimento de transtornos gerais.
Reportagem: Lívia Nadjanara
Fotos: José Nildo


