Especialistas defendem preservação e conectividade de fragmentos florestais urbanos
16/09/2011 17h05
Especialistas que participaram como palestrantes na manhã desta sexta-feira (16) do Seminário Internacional Cidades e Florestas, atividade que marcou o segundo dia de programação do Fórum Latino-Americano de Governos Locais para Meio Ambiente e Sustentabilidade, promovido pela Prefeitura de Manaus, defenderam a preservação dos fragmentos florestais urbanos de Manaus como uma das formas de se garantir a convivência sustentável entre o meio urbano e as florestas. O professor Henrique Pereira, coordenador do Centro de Ciências do Ambiente, da Universidade Federal do Amazonas, apresentou alguns projetos desenvolvidos por alunos da instituição, que preveem interligações entre fragmentos por meio de pontes, remoção de residências em áreas irregulares e instalação de parques, e podem ser aplicados em áreas de preservação permanente e fragmentos ameaçados da cidade.
Ele destacou a importância dos fragmentos florestais como reservatórios de biodiversidade em plea cidade. Citou os casos do fragmento florestal do Igarapé da Vovó, localizado no Distrito Industrial de Manaus, onde existem 24 famílias de pássaros, nove espécies de mamíferos e seis famílias de peixes, conforme levantamento do CCA, e os existentes no Bairro da Ilha e Conjunto Hileia, ameaçados pelo crescimento urbano. “Se não houverem ações planejadas, essas áreas poderão diminuir cada vez mais de tamanho, e é importante que os fragmentos florestais sejam sempre maiores e conectados, porque dessa forma eles sobrevivem”, afirmou.
O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Niro Higuchi, ressaltou a importância dos fragmento do ponto de vista dos serviços ambientais prestados pelas árvores e enalteceu a realização do seminário como uma forma de ampliar a discussão junto à sociedade. Ele defendeu o plantio de mudas em áreas degradadas na Amazônia e o desenvolvimento de programas de arborização urbana, como o que vem sendo realizado pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). “Não dá para ficar numa cidade sem arborização, temos que continuar plantando, mas é fundamental que os fragmentos sejam preservados”, afirmou o pesquisador.
Niro lembrou que as florestas e os rios ainda não estão sendo afetados diretamente pelo fenômeno das mudanças climáticas, mas as tempestades que estão se tornando cada vez mais frequentes já causam estragos na floresta, a exemplo da que ocorreu em 2005, com ventos que derrubaram uma imensa área de floresta. Os períodos de vazante e cheias cada vez mais rigorosos e com curtos espaços de tempo entre si, também são reflexo do processo. “Fica claro que a discussão de temas como esse é oportuna porque ajuda na construção de um novo paradigma para uma cidade mais verde”, afirmou o coordenador do fórum, Luis Carlos Mestrinho, assessor de Relações Internacionais da Semmas. Segundo ele, o tema do desenvolvimento sustentável ainda é novidade não só aqui como nas demais regiões do País e do Planeta, “daí a importância de discussão de temas para criação de paradigmas e instrumentos técnicos que podem vir a ser os pilares para essa nova realidade”, afirmou.
Representantes de governos locais da América Latina e Caribe, presentes aos dois dias de discussões do Fórum, também puderam mostrar, durante o seminário, algumas das experiências desenvolvidas em suas cidades. O prefeito de Cabuyaro, na Colômbia, Luiz Afonso Medina Martinéz, fez um relato sobre o trabalho de revitalização do Rio Meta, um dos afluentes mais importantes daquele país, e a necessidade de um controle efetivo sobre a ação das indústrias pretrolíferas na região. Na tarde da última quinta-feira, os representantes dos países fizeram uma visita técnica à Praia do Tupé, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, gerida pela Semmas.


