Escolas ribeirinhas passam por reformas
13/12/2011 11h06
A prefeitura de Manaus, através da SEMED, está reformando e ampliando 14 das 51 escolas ribeirinhas localizadas nas calhas dos rios Negro e Amazonas. E para boa parte das comunidades a espera foi longa. “A maiorias dessas escolas já tem mais de 20 anos e a última reforma havia sido há mais de 15 (anos). E as estruturas também ficaram pequenas para suportar tantos alunos. A procura estava sendo maior que a oferta. Com isso nós estamos garantindo o acesso de todos à educação”, afirma o subsecretário de Infraestrutura e Logística da SEMED, Marcelo Campbell.
De acordo com Campbell foram escolhidas as escolas que estavam há mais tempo sem reforma e as que precisavam ser ampliadas por conta da demanda. Com o encerramento do ano letivo, as obras podem seguir sem afetar os alunos. E, segundo o cronograma, todas as escolas devem ser entregues até fevereiro de 2012, período previsto para o reinício das aulas. Mais de R$ 7 milhões de reais estão sendo investidos nas obras.
A E.M. São Francisco das Chagas, na comunidade Costa do Arara, é uma das escolas contempladas. As obras de reforma e ampliação vão custar R$ 547.900,53 e deve ser entregue em janeiro. Além do aumento para três salas de aula, secretaria, cozinha, depósito e banheiros adaptados para portadores de necessidades especiais, os professores vão ganhar alojamentos onde eles possam ficar hospedados. As escolas ribeirinhas trabalham com sistema itinerante, onde o professor da disciplina permanece no local por três meses e após esse período vai para outra comunidade e é substituído por outra disciplina.
Mas a grande novidade, e que deve movimentar as aulas no próximo ano, é a construção dos telecentros, onde alunos e comunitários vão poder ter aulas de reforço e cursos específicos, via satélite, com professores da rede municipal na capital. “Nós estamos promovendo a inclusão digital desses alunos e também das comunidades do entorno dessas escolas. É incrível que mesmo tão perto de Manaus, eles estejam tão longe de toda essa modernidade. Além dos telecentros, as escolas vão contar com laboratório de informática, com 12 computadores cada e a logística para tudo isso é enorme. Nas escolas da calha do Rio Negro, por exemplo, não possuem energia elétrica, é tudo com gerador. Então, nós também vamos instalar geradores para suportar a carga dos aparelhos de ar condicionado e com isso, fornecer luz para as casas dos moradores, para as bombas d’água. Com isso, acabamos assumindo a responsabilidade das empresas concessionárias de luz e água”, afirma Campbell.
Já na comunidade São João do Tupé, área de preservação ambiental, a reforma teve que ser adaptada a um projeto desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas em 1996. A escola foi construída com madeira de área de manejo e a reforma manteve a estrutura original já existente. Apenas a ampliação, que vai abrigar o laboratório de informática e os alojamentos dos professores, será de alvenaria.
Geração de Emprego para a Comunidade
Segundo Marcelo Campbell, uma das exigências do edital de licitação que escolheu as empresas responsáveis pelas obras, está a de usar mão de obra das próprias comunidades, e com isso gerar emprego e renda para os ribeirinhos. Para Cleuton Ribeiro, 32, da comunidade Santa Maria Anavilhanas, também no Rio Negro, é a oportunidade de garantir um dinheiro no fim de ano. “Eu nasci na comunidade, fui morar em Manaus e voltei pra cá há 8 anos. Aqui, nós vivemos da pesca e é tudo para consumo próprio. Não ganhamos dinheiro com isso. Quando nos chamaram para trabalhar nessa reforma, vimos a possibilidade de ganhar um dinheiro e finalmente poder comprar algumas coisas”.
REPORTAGEM: LEONARDO FIERRO
FOTOS: ALTEMAR ALCÂNTARA/SEMCOM


