Cozinhas comunitárias e restaurantes populares de Manaus ajudam no fortalecimento de vínculos de famílias carentes
14/09/2016 16h46

Combater a desnutrição e ajudar na acessibilidade de famílias que se encontram em vulnerabilidade social. Esse é o papel das Cozinhas Comunitárias e Restaurantes Populares que, este ano, já atendeu mais de 300 mil pessoas. O serviço é oferecido pela Prefeitura de Manaus de segunda à sexta-feira, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), em parceria com instituições da sociedade civil e privada.
Na lista de alimentos tem proteínas, arroz, feijão, salada crua ou cozida, macarrão, farinha, suco e diversificadas sobremesas. Uma alimentação balanceada, orgânica, feita com base nutricional pelos profissionais dos espaços e que todos os dias servem o público de baixa renda, como pessoas desempregadas e em situação de rua, abrangendo homens, mulheres, crianças, idosos e também pessoas com deficiências.
Todas as zonas de Manaus são abastecidas com pelo menos um aparelho social de segurança alimentar e nutricional. Segundo dados da secretaria, de janeiro a agosto de 2016, os Restaurantes Populares ofertaram o total de 200.878 refeições, sendo em média 400 por dia. As Cozinhas Comunitárias, no mesmo período, serviram 104.784 pessoas, com aproximadamente 100 refeições, diariamente.
Em comparação à 2015, as Cozinhas Comunitárias tiveram o aumento na procura de 24%, em contrapartida, os Restaurantes Populares tiveram apenas 8%. Segundo a Subsecretária da Semmasdh, Mônica Santaella, os números são ocasionados pela crise que afetou a cidade e todo o país e ressaltou a importância dos espaços no atendimento à população.
“Nesse momento de crise econômica em que as famílias estão passando por situações de desemprego e redução de renda familiar, nossos serviços de segurança alimentar e nutricional se tornam primordiais para a população. E esse trabalho já está consolidado em nossa rede de atendimento e com perspectivas de aumento ainda esse ano. Com isso, vamos conseguir atender a necessidade alimentar de mais pessoas trazendo-as para um ambiente seguro e fora da rua”, explicou.
Os Restaurantes Populares estão localizados nos bairros Compensa, Alvorada e Nossa Senhora das Graças. Com o valor de 1 real, o público tem direito a uma refeição pronta, feita com processos seguros, servida em lugar apropriado e confortável. Em média, 24 mil pessoas usufruem mensalmente do programa.
As Cozinhas Comunitárias, que podem ser encontradas nos bairros Educandos, Colônia Oliveira Machado, Vila da Felicidade, Santo Agostinho, Colônia Antônio Aleixo e Val Paraíso, possuem um trabalho mais abrangente na área de assistência com as pessoas de cada comunidade. Além de servir, de forma gratuita, aproximadamente 13 mil usuários por mês, lá, eles também passam por uma triagem social e são encaminhados à programas em outros espaços, como Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).
“Temos um trabalho que vai além de ofertar uma refeição. Servimos com muito amor e dedicação a comunidade onde a cozinha funciona. O nosso trabalho também é voltado para o resgate da família e reinserção à sociedade. Fazemos a abordagem e verificamos qual a necessidade de cada um e assim encaminhamos para o serviço necessário”, explicou a Chefe da Divisão de Segurança Alimentar da Semmasdh, Marília Ribeiro.
Conforme Marília, só na cozinha do Santo Agostinho, por exemplo, todos os dias pela manhã são atendidas 30 crianças que vêm do CRAS. “Elas participam de aula de reforço, fazem recreação e recebem lanche. Já para os idosos, tem o jogo de dominó, após o almoço. Também ficamos atentos a datas comemorativas e oferecemos sempre algo que possa envolver a todos”. Cada espaço possui uma atividade diferente para as faixas etárias”, reforçou.
A desempregada Renata Almeida, que frequenta o espaço há quatro anos, disse que se sente amparada pelo serviço. “Venho todos os dias com a minha filha. É um projeto que beneficia toda a comunidade. Muitas pessoas não tem nada pra comer. Aqui, temos uma refeição completa, uma oportunidade de alimentação saudável que não teríamos condições de arcar. Se não existisse esse projeto, seria muito difícil”, contou.
A ajudante de cozinha, Mônica Garcês, tem oito filhos. Para ela, as refeições realizadas diariamente nas cozinhas, ajudam na hora de economizar nas despesas de casa. “Lá em casa, somos um total de dez pessoas, somando comigo e meu marido. Não temos condições de alimentar nossas crianças todos os dias. Então a melhor forma é virmos nos alimentar aqui na cozinha. Assim, eles também aproveitam para merendar e estudar na biblioteca”, contou.
Texto: Juliana Silva / Semmasdh
Fotos: Karla Vieira / Semcom
Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh): 3215-4616


