Transporte especial oferece inclusão a pessoas com dificuldade de locomoção
02/11/2017 16h50
Maria Eduarda da Silva tem 14 anos, nascida de maneira prematura, ela tem microcefalia e paralisia cerebral. O serviço de transporte especial oferecido pela Prefeitura de Manaus deu ânimo novo para a jovem, que antes não tinha como sair de casa. “Ela fica feliz só de ouvir o barulho do ônibus chegando e até sabe diferenciar a voz dos motoristas”, declara Cleide Leitão da Silva, 45, mãe da Eduarda.
Desde 2008, as duas passaram a ter mais qualidade de vida ao serem inclusas no programa “Transporta”, que oferece transporte devidamente adaptado às suas necessidades. “Eu classificaria como um trabalho de excelência e que nos traz muita tranquilidade”, comenta Cleide.
Atualmente, o Transporta atende mais de 600 pessoas, que são conduzidas com toda a atenção necessária de suas residências até os locais onde fazem tratamento de saúde para fisioterapia, consultas regulares ao médico e exames de laboratório.
Para a chefe da Divisão de Atendimento Social da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Arlene Menezes, o serviço representa um importante avanço social. “As pessoas viviam confinadas, não tinham a menor possibilidade de se deslocarem de suas residências para os centros de reabilitação e, hoje, estamos fazendo isso. Houve uma sensível melhora na qualidade de vidas dessas pessoas”, afirma.
Outro beneficiário do Programa é Marcelo Henrique Rebelo Costa, de 10 anos. Ele é portador da Artrogripose Múltipla Congênita (AMC), que atinge as articulações e os músculos do corpo. Marcelo e sua mãe, Gilmara Socorro de Rebelo, de 43 anos, passaram a ter mais qualidade de vida ao serem pegos na porta de casa, no bairro Nova Cidade, zona Norte, e levados até o bairro de Flores, na zona Centro-Sul, para as sessões de fisioterapia.
“No transporte público convencional, o Marcelo se sentia muito incomodado. Ele reclamava por causa do número de pessoas e a dificuldade em subir no ônibus comum. No Transporta, ele se sente mais confortável e confiante. É um ônibus pensado para ele e ali ele se sente livre”, destaca Gilmara. “Às vezes, me pego imaginando o dia em que ele vai querer ir às consultas sozinho, pela confiança que ele tem no serviço”, completa.
Reconhecimento
Para o motorista André Pontes, que trabalha há três anos no transporte especial, é uma grata satisfação saber que é tão aguardado para cumprir sua missão. “Você acaba estreitando laços, diferente do ônibus convencional, no Transporta eu sou mais que um motorista, sou amigo dessas pessoas que transporto. Chegar na casa delas e saber que estou sendo aguardado é muito gratificante, eu trabalho mais motivado e esse carinho é mútuo“, diz o motorista emocionado.
Para ter acesso ao programa Transporta, os pacientes devem passar por avaliação médica para comprovar o grau de impossibilidade de locomoção. É permitido apenas um acompanhante por paciente. Conforme a Lei Municipal 2.184/2016 são feitas duas viagens por semana para cada paciente, definidas previamente em um calendário com a programação mensal, de acordo com a necessidade dos usuários.
Capacitação
Além do Transporta, treinamentos periódicos são promovidos pela SMTU aos motoristas e cobradores do sistema público de transporte para melhor atender as pessoas com deficiência, onde os operadores são colocados em cadeiras de rodas ou têm os olhos cobertos, para vivenciarem as dificuldades enfrentadas por esses usuários. Apenas neste ano, mais de 650 operadores do sistema já passaram pelo treinamento.
Texto: João Paulo Gonçalves / Semcom e Assessoria SMTU
Fotos: Altemar Alcântara / Semcom
Disponível em: https://flic.kr/s/aHsm84TRJ7


