Prefeitura de Manaus mobiliza comunidades para o combate ao aedes aegypti
03/12/2016 13h18

A mobilização reunindo mais de 300 profissionais de saúde realizada pela Prefeitura de Manaus, na manhã deste sábado, 3, deixou clara a mensagem de que o combate ao aedes aegypti, transmissor do zica vírus, da dengue e chikungunya, não deve parar e que juntos, poder público e comunidade, podem acabar com a infestação do vetor.
O cenário da mobilização foi o Parque Municipal Lagoa Senador Arthur Virgílio Filho, com stands de exposição do trabalho de combate às endemias, carros de fumacê e o motofogs no local. No entorno, agentes de endemias faziam panfletagem, adesivagem e distribuição de material para ressaltar aos comunitários a importância da mobilização de todos.
“Nós não conseguimos estar com um agente de controle de endemias em cada casa, em todos os bairros, todos os dias e isso é um trabalho da família, de cada um, das crianças até os pais, que precisam estar atentos a tudo que pode acumular água e se transformar numa ‘maternidade’ para o Aedes. Se eliminarmos os focos, eliminamos a possibilidade de nascer o mosquito e da proliferação das doenças”, ressaltou o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Filho.
O foco da ação foi a prevenção e a vigilância para evitar que o mosquito nasça e transmita mais doenças, especialmente por conta da relação do zika vírus durante a gravidez com os casos de microcefalia. “Tivemos 12 meses de emergência sanitária que nos permitiu fazer o combate de maneira mais intensa e isso deu certo em nossa cidade. Vamos continuar o combate”, destacou.
O destaque também foi para o Levantamento de Índice Rápido para Aedes Aegypti – LIRAa de 2016, realizado de 15 de agosto a 2 de setembro, que apontou Índice de Infestação Predial de 1,0, revelando significativa melhora no resultado desse indicador. Em janeiro deste ano, esse índice era de 1,8. Apenas o bairro Cidade Nova apresentou alto risco de infestação.
“A Cidade Nova é uma área que se mostrou vermelha para o risco de transmissão do mosquito em agosto de 2016 e o trabalho de combate foi intensificado desde aquela época e temos certeza de que hoje o quadro já é outro. Mas, para que outras áreas não se transformem em vermelho para a infestação do Aedes, não se pode baixar a guarda e esse trabalho de combate tem que ser continuamente realizado, principalmente com as pessoas limpando seu quintal”, concluiu o secretário.
Até dia 30 de novembro de 2016, o Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde – Ciocs implantou 2.151 brigadas com a capacitação de 10.139 pessoas em instituições públicas e privadas. Brigadas são grupos de pessoas previamente capacitadas e organizadas dentro de uma instituição com objetivo definido.
A Semsa, através do Ciocs, ampliou o Disque-Saúde (0800-280-8-280) para receber as denúncias oriundas da população e prestar informações sobre controle do aedes e as doenças por ele transmitidas. Até o dia 30 de novembro foram registradas 5.422 denúncias de locais com possíveis criadouros de Aedes e destas, 5.332 foram executadas pelas equipes de inspeção.
Foram executadas também estratégias complementares para o controle do vetor, como a utilização do larvicida SPINOSAD – aquisição pela SEMSA de 72.000 pastilhas com o objetivo de tratar depósitos tipo A1 (de água elevados) e A2 (de água para consumo em nível do solo), visto que esse causa paralisia e morte da larva e possui poder residual de 60 dias, e as capas protetoras doadas pela FVS (40.000 UN) com o mesmo objetivo, priorizando os bairros de maior Infestação e predominância de depósitos, segundo série histórica de dados apresentados pelo LIRAa.
Dengue e chikungunya
O número de casos notificados de dengue em 2016 no município de Manaus (8.246 no período de janeiro a outubro) está maior que no ano de 2015 (2.926 no período de janeiro a outubro), representando um incremento de 181,8% ao passo que a confirmação está menor (em 2016 foram confirmados 847 casos no período de janeiro a outubro e em 2015 foram confirmados 1067 casos de dengue), representando uma redução de 20,6%.
Isso demonstra que mesmo diante da complexidade do cenário atual de combate ao aedes, o sistema de vigilância em saúde de Manaus está mais sensível para suspeição dos referidos agravos nas Unidades de Saúde do município bem como para o acompanhamento adequado dos casos, uma vez que todos os profissionais da rede de saúde municipal estão preparados para suspeição, diagnóstico e manejo clínico.
Com relação aos dados de chikungunya de 2016, a Semsa informa que de janeiro a setembro têm-se o registro de 881 casos notificados, sendo 155 casos confirmados e que deste total de confirmados apenas 120 são autóctones do município de Manaus.
Mais dados e registros de casos:
zika = 6.011 notificados, 4.333 confirmados, 1.660 descartados e 18 em investigação.
Gestantes = 1236 notificados, 470 confirmados, 749 descartados, 17 em investigação.
Microcefalia = 35 notificados, 4 confirmados relacionado ao zika e 10 não relacionado ao zika, 10 descartados, 11 em investigação.
Texto: Lívia Nadjanara
Fotos: Raimundo Valentim


