Prefeitura de Manaus se integra às iniciativas nacionais para a construção de Cidades Verdes Resilientes
28/10/2024 16h45
#paratodosvere – diretor-presidente do Implurb, Caros Valente, na oficina, em Brasília
A Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), se soma às iniciativas do programa “Cidades Verdes Resilientes”, tendo participado, em Brasília, da 1ª Oficina de Construção Participativa de Implementação do projeto.
Coordenado pelos ministérios do Meio Ambiente, das Cidades e de Ciência e Tecnologia, o programa foi lançado em junho de 2024 para aumentar a capacidade de enfrentamento às mudanças climáticas nas cidades brasileiras a partir de uma estratégia nacional, integrando políticas urbanas, ambientais e climáticas.
Durante a abertura da oficina participativa, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou a relevância da ciência e da participação social presentes no programa. “Obviamente, pesquisadores e cientistas aportam aqui suas contribuições para pensar o que seriam essas cidades verdes e resilientes e essas soluções baseadas na natureza, transformando o que ainda pode ser transformado, descontinuando o que precisa ser descontinuado de nossas práticas urbanas e, ao mesmo tempo, criando novos paradigmas”.
O diretor-presidente do Implurb, engenheiro Carlos Valente, pontou três itens fundamentais nas discussões e para aumentar a qualidade ambiental e a resiliência climática nas cidades. O objetivo do Governo Federal é realizar série de eventos para a construção participativa para implantar e executar o programa.
“O primeiro desses itens é que os eventos climáticos extremos, como altas temperaturas, baixas temperaturas, enchentes, enxurradas, estiagens e secas, como a gente está começando a viver hoje no Amazonas, estão cada vez mais presentes, reduzindo o intervalo de acontecimentos entre eles”, comentou Valente.
O segundo problema, conforme o diretor, é a questão da biodiversidade diante da crise mundial e desafios como a extinção de biomas de forma significativa. “E o terceiro problema, que está diretamente ligado à questão verde, é a contaminação do ar, do solo e da água. A gente vê hoje peixes contaminados com plástico. Não é um plástico que o peixe comeu, é plástico no interior da carne, uma microcélula. O processo de contaminação ganha outro nível e está muito avançado. E precisamos refletir, discutir e se preocupar com isso”.
As mudanças climáticas são cada vez mais reais, impactando continentes, países, estados, cidades e populações, especialmente às mais vulneráveis, que não tem tanto acesso a mecanismos de proteção e qualidade de vida e ambiental.
Para Carlos Valente, as preocupações são realistas e Manaus precisa estar nas discussões com competência, estando localizada na região que tem uma das maiores florestas do mundo, a amazônica. Maravilha natural que sustenta uma incomparável biodiversidade, a floresta é atravessada por diversos rios, incluindo o rio Amazonas, e abriga comunidades ribeirinhas e indígenas.
“Temos competência para a construção de diálogos e soluções sobre o tema, participando ativamente dessa nova estruturação sobre governança, ações e execuções. Cidades Verdes Resilientes é um tema de pertencimento do Brasil, mas também de Manaus frente às mudanças climáticas”, completou.
Municípios vulneráveis
Conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, existem 1.942 municípios brasileiros vulneráveis a eventos climáticos extremos. Além dos reflexos das tragédias de inundações no Rio Grande do Sul e em outras regiões, o País ainda convive com seca severa no Pantanal e na Amazônia, além de escassez hídrica nas bacias dos rios Paraguai e Madeira.
Tais problemas, cada vez mais frequentes e intensos, exigem respostas nacional e global, segundo Marina Silva. “A cidade de São Sebastião (SP) não tem como se reerguer sozinha. O Rio Grande do Sul não tem como se reerguer sozinho. Ou a gente age globalmente para resolver os problemas, inclusive aportando recursos, ou haverá problemas catastróficos”, alertou. “Agora é tempo de agir global e agir local, tudo na mesma frequência, se quisermos fazer o enfrentamento de algo que já está acontecendo”.
Foco
O Programa Cidades Verdes Resilientes tem o apoio de órgãos das Nações Unidas. Representante da ONU Habitat, Elkin Velásquez elogiou a construção participativa e o foco em áreas mais pobres.
Já o gerente do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), Asher Lessels, citou o aquecimento global em ritmo acelerado e perda de biodiversidade para destacar a urgência de medidas transversais.
Temas
O Programa Cidades Verdes Resilientes está organizado em seis temáticas principais: uso e ocupação sustentável do solo, áreas verdes e arborização urbana, soluções baseadas na natureza, tecnologias de baixo carbono, mobilidade urbana sustentável e gestão de resíduos urbanos. O comitê gestor será coordenado alternadamente pelos três ministérios e haverá representantes de estados e municípios.
Desde junho, está em vigor a lei que estabelece diretrizes para a elaboração dos planos nacional, estaduais e municipais de adaptação às mudanças climáticas (Lei 14.904/24).
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Texto – Divulgação/Implurb
Fotos – Divulgação


