Ações marcam o Dia Internacional de Combate e Prevenção às Lesões por Esforço Repetitivo
22/02/2016 14h53
Para marcar o Dia Internacional de Combate e Prevenção às Lesões por Esforços Repetitivos e aos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORTs), 28 de fevereiro, o Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador (Cerest-Manaus) inicia nesta terça-feira, dia 23, atividades de sensibilização para profissionais de saúde.
O trabalho vai acontecer na Unidade Básica de Saúde (UBS) Leonor de Freitas, no bairro Compensa, e no PAM Condajás, Cachoeirinha, com a parceria do Cerest-Amazonas. Nos dias 23 e 29 os profissionais do Cerest estarão no PAM da Codajás, e nos dias 25, 26 e 29 de fevereiro na UBS Leonor de Freitas, com ações educativas.
A diretora do Cerest/Manaus, Maria Verônica de Souza, explica que as LER/DORTs são doenças que expressam sofrimento originado da relação do trabalhador com o trabalho e podem ser consideradas um problema de saúde pública. “É um dos mais graves problemas de saúde enfrentados pelos trabalhadores por ser uma doença crônica, invisível e muitas vezes irreversível”, explica Verônica Souza.
De acordo com o Ministério da Saúde, são doenças classificadas como LER/DORTs as tenossinovites, tendinites, epicondilites, bursites, miosites, síndrome mofascial, síndrome do túnel do carpo, síndrome cervicobraquial, síndrome desfiladeiro torácico, síndrome do ombro doloroso, doença de D’Quervain. As tendinites e tenossinovites são as mais conhecidas, sendo que sua incidência maior está nos membros superiores, particularmente nos punhos e nos ombros.
Causas
As LER/DORT’s surgem dos movimentos que são realizados de modo intensificado do trabalho e representam dano no sistema musculoesquelético de trabalhadores, quando as atividades de trabalho exigem a execução de movimentos repetitivos, associados muitas vezes a esforços físicos e manutenção de determinada postura por tempo prolongado. Podem ser iniciadas por sensação de desconforto, pontadas, dormência, limitação e diminuição de movimentos, formigamentos ou dores na execução do trabalho. Costumam evoluir de forma lenta para quadros crônicos, representados por dores insuportáveis, edemas, diminuição ou perda da força muscular e da coordenação motora, podendo evoluir para atrofia.
Verônica Souza alerta que muitos trabalhadores sentem dores nos braços, ombros, pescoço e outras partes do corpo, mas continuam a trabalhar no mesmo ritmo, sob a mesma pressão, usando os mesmos instrumentos. “O uso de antiinflamatórios serve como paliativo e mascaram o problema, pois muitas empresas punem o trabalhador por uma doença não reconhecida. Só quando o trabalhador não consegue mais pentear o cabelo ou segurar um objeto, por exemplo, por dores nos braços, ombros e pescoços e outras partes do corpo, é que reconhecem que está doente”, destaca a diretora.
Prevenção
Verônica Souza chama atenção para fato de que a resistência patronal pelo não reconhecimento das LER/DORTs cria, consequentemente, uma maior dificuldade na implementação de ações preventivas. “A dificuldade no diagnóstico e o fato de ser uma doença relacionada com a organização do trabalho têm gerado uma série de mal entendidos e preconceito em relação aos adoecidos”, afirma Verônica Souza.
Outra dificuldade encontrada para a prevenção é a não notificação dos casos nos serviços de saúde que, segundo o Ministério da Saúde, é obrigatória para todas as doenças relacionadas ao trabalho. A informação deve ser notificada no Sistema Nacional de Informação (SINAN), que no ano passado notificou 275 casos de LER/DORTs no município de Manaus.
“Se compararmos com o quantitativo de trabalhadores nos mais diversificados processos produtivos em Manaus, veremos que a subnotificação da LER/DORT ainda é significativa. Isto também aponta a necessidade do profissional de saúde estar mais alerta para a notificação”, destaca Verônica.
Para a diretora do Cerest/ Manaus, a prevenção não deve se resumir somente na utilização de mesas e cadeiras ergonômicas e descanso para os pés, mas devem ser tomada medidas organizacionais que respeitem as capacidades psicofisiologicas das pessoas, estabelecendo um esforço interinstitucional do estado e das empresas para eliminar a intensificação do trabalho.
“É necessário que a organização das atividades de trabalho leve em conta a saúde do trabalhador, sem estabelecer metas abusivas e fornecendo pausas para descanso para que haja o necessário equilíbrio entre as exigências do trabalho e as capacidades psicofisiológicas do ser humano”, conclui Verônica Souza.
Texto: Eurivânia Galúcio
Departamento de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa): 92 3236-8315


