Comunitários do Tupé concluem oficina de cerâmica e grafismo

Por Prefeitura de Manaus

23/06/2014 15h47

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Comunitários da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé receberam certificados pela participação na 1ª Oficina de Cerâmica Através de Torno de Oleiro e Grafismo Indígena Tarumã. A atividade é parte de um projeto macro que visa promover o resgate da cultura material milenar dos tarumãs, primeiros povos indígenas a habitarem o território amazonense.

A oficina foi realizada pela Prefeitura de Manaus, por meio do Conselho Municipal de Cultura (Concultura) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). A entrega dos certificados ocorreu no sábado, 21.

Há 11 anos estudando o tema, o professor Eliel Cavalcante, conselheiro de Projetos Especiais do Concultura, reuniu um acervo com centenas de peças encontradas em diferentes pontos da comunidade Agrovila, onde acredita-se que esteja localizado o maior arsenal de fragmentos de cerâmica com o grafismo feito pelos índios tarumãs, além de utensílios e objetos que fazem referência à presença dos colonizadores europeus na região.

As peças deram origem à exposição Cerâmica Tarumã, organizada em um espaço improvisado na sede da antiga escola municipal da comunidade. O local recebeu, recentemente, a visita do prefeito Arthur Virgílio Neto, acompanhado da secretária municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Kátia Schweickardt, e do escritor Márcio Souza, presidente do Concultura. Durante a visita, o prefeito afirmou ter ficado impressionado com o acervo e garantiu apoio ao projeto de construção de um museu na comunidade para abrigar a coleção, o que transformaria a área em um importante foco de atração turística e de pesquisas.

“Muito desse material hoje exposto foi localizado pela própria comunidade e nosso desejo sempre foi o de envolver os comunitários nesse trabalho de resgate histórico cultural”, explica o professor Eliel Cavalcante. Segundo eles, os fragmentos de objetos como urnas funerárias, achados arqueológicos da presença holandesa, afloram do chão da comunidade, que passou a entender a importância histórica daquelas descobertas.

A oficina de cerâmica e grafismo, realizada durante dez dias, com um total de 80 horas/aula, foi uma das ferramentas idealizadas pelo professor Eliel Cavalcante e proposta junto ao Concultura. Com o apoio do Conselho, as peças foram catalogadas e receberam o tratamento apropriado para dar origem à exposição. A oficina, de acordo com o professor, faz parte do processo de resgate da identidade cultural do Tarumã e cria oportunidades de geração de renda para a comunidade por meio da venda das cerâmicas que reproduzem o grafismo da etnia. Além dos certificados, os alunos receberam também dois tornos oleiros, equipamentos rústicos feitos de madeira e utilizados para a modelagem do barro.  Do total de 25 inscritos, 19 concluíram a oficina e puderam levar para casa as peças que produziram durante as aulas.

A moradora Raimunda Carmo de Andrade, 41, foi uma das alunas mais aplicadas. Em sua casa, na comunidade Agrovila, onde vive com sete dos 11 filhos, Raimunda expõe com orgulho a sua produção, composta por vasos, potes e até uma panela de barro, feitas por ela. No ateliê onde a oficina foi realizada, diversas outras peças confeccionadas pelos alunos estavam expostas. “Além de possibilitar o aprendizado sobre a cultura indígena tarumã, através da produção das réplicas dos achados arqueológicos, a oficina também ajudou a descobrir talentos”, afirmou o professor Eliel. O presidente da comunidade Agrovila, Selmarcos da Silva Gomes, agradeceu o apoio que vem sendo dado à comunidade pela Prefeitura de Manaus. “Estamos todos, aqui, de parabéns porque todos se destacaram e estão buscando desenvolver uma atividade que no futuro poderá gerar renda para a comunidade retirar o seu sustento”, disse.