Trabalho infantil e mendicância são combatidos pela Prefeitura em semáforos e cruzamentos de Manaus

Por Prefeitura de Manaus

12/12/2018 14h15

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A Prefeitura de Manaus iniciou nesta quarta-feira, 12/12, um cronograma de atividades de sensibilização nos locais com maior incidência de trabalho infantil e mendicância, como semáforos e cruzamentos da cidade. A ação é idealizada pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) e vai até o dia 29/12. Neste período de final de ano, aumenta a incidência de crianças e adolescentes nestes locais, principalmente por causa das férias escolares.

 

 

12.12.18 Fiscalização do trabalho infantil no centro.

 

No primeiro dia de sensibilização foram flagradas apenas situações de mendicância, nas proximidades do bairro São Jorge, zona Oeste e Japiim, zona Sul. “Encontramos 16 crianças pedindo dinheiro, acompanhadas dos familiares. Desse total, 12 eram indígenas venezuelanos da etnia Warao e quatro de nacionalidade brasileira já acompanhadas pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, PETI”, contou a gerente do PETI, Ketianne Mourão.

 

A ação tem caráter educativo e visa sensibilizar a população sobre a importância do combate ao trabalho infantil e mendicância, expressos sob a forma de comércio de produtos, limpeza de para-brisas, malabarismos e pedidos de ajuda.

 

De acordo com Ketianne Mourão, a permanência dessas crianças e adolescentes se dá em função do desconhecimento da população, acerca dos prejuízos que são advindos da prática de colaborar com a ilegalidade.

 

“Todo nosso material educativo traz a reflexão sobre o que é o trabalho infantil, quais os impactos que eles trazem em nível físico, psicológico e no processo de aprendizagem dessas crianças e adolescentes, além dos canais de denúncia do município”, frisou a gerente.

 

Os locais das abordagens são escolhidos aleatoriamente para que as famílias sejam pegas em flagrante pela equipe de abordagem social do órgão.

 

Abordagem

 

O primeiro passo é identificar essas famílias para prestar todos os esclarecimentos sobre a prática ilegal do trabalho infantil e mendicância.

 

“Na abordagem, quando possível, coletamos os dados dos envolvidos e depois acionamos o Conselho Tutelar para que sejam tomadas as medidas cabíveis, além de encaminhá-los para a rede de proteção composta pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Existem fatores que trazem esses indivíduos para as ruas e o trabalho social vem justamente desconstruir essa perspectiva”, explicou Ketianne Mourão.

 

Caso eles voltem a cometer essa ilegalidade, serão levados novamente ao Conselho Tutelar para que seja feito um relatório a ser enviado ao Juizado da Infância e da Juventude, pois eles estão desrespeitando o artigo 5° do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que diz: nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punindo na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

 

Programa

 

O público-alvo do PETI são crianças e adolescentes menores de 16 anos envolvidos em situação de trabalho. Segundo o Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador e ao Adolescente é considerado trabalho infantil as diversas atividades econômicas e/ou atividades de sobrevivência realizadas por crianças ou adolescentes em idade inferior a 16 anos, exceto na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos, sejam ou não remunerados.

 

Canais de denúncia

 

A rede de proteção possui três canais de comunicação para quem sofrer ou conhecer qualquer situação de violação de direitos: Disque Direitos Humanos (0800 092 6644), Disque Denúncia (0900 092 1407) e Disque Direitos Humanos Nacional (100).

 

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Texto: Alexsandro Machado/ Semasc

Fotos: Marinho Ramos / Semcom

 

Disponíveis em: https://flic.kr/s/aHsmxntavj