Operação Rio Negro

Por Prefeitura de Manaus

21/10/2010 15h23

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A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) está fechando o cerco contra a matança indiscriminada de animais silvestres e a comercialização ilegal desses produtos, além de pescado e madeira clandestinos, intensificando a fiscalização noturna na orla urbana do rio Negro. No último final de semana, a Semmas conseguiu apreender durante a terceira etapa da Operação Rio Negro 220 quilos de pescado ilegais e uma grande variedade de animais silvestres abatidos que seriam comercializados nas feiras livres da cidade e mercados de Manaus. A operação é realizada ao longo de aproximadamente 25 quilômetros da orla urbana de Manaus através de equipes de agentes ambientais em lanchas da Prefeitura.

O trabalho começou às 18h do sábado e foi só foi concluído às 12h do domingo com um saldo de 19 embarcações vistoriadas, três autos de infração e um de notificação emitidos. Os fiscais apreenderam aproximadamente 200 quilos de tambaquis com menos de 55 centímetros (cuja pesca é proibida), 10 quilos de pirarucu e 10 de pescados variados utilizados para camuflar o pescado proibido. Entre os animais de caça foram encontrados quatro tatus, 10 quilos de carne de anta e de paca e um pato do mato, que vinham escondidos dentro de um freezer de um barco-recreio vindo de Maués.

A maior parte do pescado foi encontrada em uma embarcação proveniente da cidade de Tefé. Um carregamento de madeira beneficiada, contendo 120 pranchões foi encontrado em um recreio que vinha de Manicoré. O coordenador de Qualidade e Controle Ambiental da Semmas, Norberto Magno, afirma que as operações já começam a surtir efeito. “Nosso objetivo é reduzir o intenso tráfico de produtos ilegais que ocorre na orla de Manaus e orientar os condutores de embarcações a não compactuarem com a prática criminosa já que eles são autuados e responsabilizados pelas cargas, quando os verdadeiros donos não se pronunciam no momento da fiscalização”, afirma.

Até agora, três operações foram realizadas e conseguiram apreender aproximadamente 800 quilos de pescado e carne de animais silvestres e 80 metros cúbicos de madeira extraída clandestinamente. O pescado é encaminhado para entidades assistenciais, a exemplo do Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC), a Casa da Criança e o Educandário Gustavo Capanema, que já receberam doações enquanto a carne de caça é enviada para o zoológico mantido pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), além do Refúgio Sauim Castanheiras. A primeira Operação Rio Negro foi realizada na madrugada do dia 29de maio e a segundo no dia 06 de junho.

Neste domingo, a última apreensão foi feita na embarcação P.P. Maués quando aportava no porto da Manaus Moderna. Os fiscais encontraram os animais silvestres dentro de frezzers e caixas de isopor no convés. “Autuamos o proprietário do barco, que terá um prazo de 20 dias para comparecer à Semmas e apresentar defesa, mas de antemão a multa arbitrada foi de R$ 60 mil, que poderá ser contestada pelo autuado”, explica Magno.

Durante a fiscalização, os agentes ambientais também encontraram um quelônio trazido da cidade de Anamã. O animal foi devolvido ao rio, minutos depois da sua apreensão.

Estratégia

O trabalho da fiscalização feito pela Semmas começa ao cair do sol. Reunidos na base fluvial do Rio Negro, os agentes ambientais definem a estratégia de atuação das equipes e, ao escurecer, saem para o rio, onde permanecem em pontos diferentes à espera da passagem de embarcações. “Atuamos todo e qualquer tipo de embarcação suspeita que se aproxima”, explica o gerente de fiscalização da Semmas, César Lopes, que é responsável pela coordenação da ação.

A estratégia, segundo Lopes, consiste em estabelecer posicionamentos no rio que permitam a visualização das embarcações. Ao avistar a embarcação, o fiscal sinaliza para que ela pare e possa ser vistoriada. As cargas clandestinas são geralmente acondicionadas nos porões das embarcações. Uma vez identificadas, são levadas para a Base Rio Negro, da Prefeitura, e o responsável é autuado.

“O objetivo é manter a fiscalização permanentemente visando reduzir a incidência do transporte ilegal”, disse César, afirmando que as próximas operações ocorrerão em dias e locais diferenciados e mantidos em sigilo.