Prefeitura de Manaus promove ‘Dia D da Autodeclaração Étnico-Racial’ na rede municipal de ensino
10/09/2026 16h27
#paratodosverem – Alunos realizando atividades
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), realizou, nesta quinta-feira, 10/9, o “Dia D da Autodeclaração Étnico-Racial”, voltado aos estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A iniciativa encerra uma mobilização realizada de 1º a 9 de setembro nas unidades de ensino da rede municipal, com o objetivo de incentivar o reconhecimento das identidades étnico-raciais e promover o respeito à diversidade no ambiente escolar.
Na escola municipal Maria Rufina, no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste, estudantes, professores e demais integrantes da comunidade escolar participaram de atividades sobre identidade, pertencimento e diversidade. Coordenada pela Divisão de Ensino Fundamental (DEF), da Semed, a programação contou com roda de capoeira, apresentações de dança e exposição de trabalhos produzidos pelos estudantes sobre a história e a cultura dos povos negros e indígenas.

A ação também orienta estudantes e famílias sobre a importância da autodeclaração e do registro das informações étnico-raciais. No contexto amazônico, esses dados contribuem para subsidiar ações pedagógicas e institucionais voltadas à promoção da equidade e ao enfrentamento das desigualdades étnico-raciais.
A assessora pedagógica do Núcleo de Equidade e Diversidade da DEF, Maria Vilane, destacou a importância da iniciativa para ampliar a discussão sobre o tema nas escolas.
“É um marco na nossa história, porque já temos uma normativa que trata do Dia D de Combate ao Racismo Estrutural, realizado em 21 de março, e agora o Dia D da Autodeclaração Étnico-Racial vem reforçar essa discussão em toda a rede. É um momento em que os estudantes, juntamente com suas famílias, têm a oportunidade de refletir e reconhecer a qual grupo étnico-racial pertencem, considerando os critérios de cor e raça. Mais do que preencher uma informação, é reconhecer a própria identidade e valorizar a diversidade que existe dentro das nossas escolas”, explicou.
Para o professor do 5º ano, Sérgio Santana, abordar as relações étnico-raciais desde a escola contribui para o respeito às diferenças e para a prevenção de situações de preconceito, racismo e bullying.
“Estamos abordando a diversidade étnico-racial, que, a meu ver, é um tema de extrema relevância para ser trabalhado no contexto escolar, principalmente com os alunos. Nos dias de hoje, ainda enfrentamos situações de bullying e racismo, e trazer essa discussão para a sala de aula é fundamental. Precisamos mostrar aos estudantes que a cor da pele não determina o valor de ninguém e que todos devem aprender a conviver, respeitar e valorizar as diferenças. A escola tem um papel muito importante nessa construção”, ressaltou.
Nayara Laiane Mendonça, mãe do estudante Lucas Fernando, do 4º ano, pertencente à etnia Munduruku, aproveitou a ação para realizar a autodeclaração étnico-racial do filho. Para ela, a iniciativa contribui para dar visibilidade e valorizar a identidade indígena.
“Estou muito feliz por poder realizar a autodeclaração do meu filho. Para nós, é muito importante sermos reconhecidos, não apenas na escola, mas em todas as áreas. Falar sobre a minha etnia e sobre os povos indígenas também é uma forma de valorizar a nossa história e a nossa identidade. Durante muito tempo, existiu muito preconceito, mas hoje percebemos mudanças e mais espaço para falar sobre quem somos. Fico muito feliz por essa oportunidade e por poder compartilhar isso com meu filho”, concluiu.
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Texto – Jorgeane Castinares/ Semed
Fotos – Renan Melgueiro/ Semed


