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Comidas de Rua

22-01-2008 12:48

Leyla Leong

Uma aventura de sabores espreita o degustador em cada esquina da cidade. Servido em cuias negras, o tacacá, espécie de sopa indígena, é uma explosão de sabores dominados pelo tucupi (sumo fermentado da mandioca). Quebrando o sabor selvagem, outro ingrediente, a goma, se soma ao camarão seco e ao jambu, folha que adormece a língua. Em grandes tabuleiros, o quebra-queixo feito de açúcar e castanhas é cortado em fatias com uma espátula para ser levado e comido passo a passo, bem devagar. A brancura empoada das broas se desfaz na boca. Nas feiras livres as pamonhas embrulhadas em folhas de milho convivem na mesma banca com as tapiocas com castanha, coco ou manteiga, feitas na hora e servidas em pedaços de folhas de bananeira. O  rala-rala brinca com  as  cores das essências artificiais guardadas em garrafas para temperar o gelo ralado. As máquinas de rala-rala têm formas elaboradas pintadas de cores fortes, que brilham em frente às escolas, danceterias e cinemas. Montados em carrinhos de mão, os mingaus invadem a cidade de manhã bem cedo, contidos em grandes panelões de alumínio areado.

Depois das descobertas medicinais da mangarataia (gengibre), que cura os males da voz e da garganta, as balas tornaram-se obrigatórias na bolsa do amazonense. São vendidas também nas ruas, embrulhadas em papel manteiga retorcido nas pontas. Fora as guloseimas que dispensam a mesa para ser consumidas. Manaus está cheia de barracas e bancas onde doces tradicionais como as tortas de banana frita e as variações sobre o sabor do cupuaçú, pirarucu de casaca e a maionese exigem mesa, talher e tempo para usufruto de prazer.

Leila Leong é jornalista e escritora, autora do livro "Essa Tal de Natureza".

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