Zona Franca de Manaus

• Modelo de desenvolvimento regional de sucesso
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) é uma autarquia
vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior (MDIC) que administra o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM), com atuação
nos Estados da Amazônia Ocidental (Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima)
e as cidades de Macapá e Santana, no Amapá. O modelo foi criado
em 1967, por meio do Decreto-Lei 288, de 28 de fevereiro. Desde então,
impulsiona a economia da região. Ao longo dessas quatro décadas,
foi uma resposta ao desafio de formulação de uma política
de desenvolvimento auto-sustentável, capaz de permitir a integração
econômica da Amazônia, sem prejuízo ao seu patrimônio
ambiental. A
Zona Franca de Manaus é considerada a mais bem sucedida experiência
brasileira no campo do desenvolvimento regional. Sucessivos recordes de produção,
faturamento, geração de emprego e a conquista de novos mercados
consumidores traduzem a importância do Pólo Industrial de Manaus
(PIM), que foi o responsável por dinamizar a economia do estado do Amazonas
e cujos efeitos positivos espraiaram-se para os demais Estados da área
de atuação da autarquia. São mais de 500 indústrias
aptas a produzir, utilizando tecnologia de ponta na produção, por
exemplo, de eletroeletrônicos, bens de informática, aparelhos de
telefonia celular, televisores e motocicletas. Tudo isso com qualidade certificada
pelo Sistema Internacional ISO na maioria das empresas.
• Informações Gerais
A Zona Franca de Manaus foi idealizada pelo deputado federal Francisco Pereira
da Silva e criada pela Lei Nº 3.173, de 6 de junho de 1957, como Porto Livre.
Dez anos depois, o Governo Federal, por meio do Decreto-Lei Nº 288, de 28
de fevereiro de 1967, ampliou essa legislação e reformulou o modelo,
estabelecendo incentivos fiscais por 30 anos para implantação de
um pólo industrial, comercial e agropecuário. Instituiu-se, assim,
o atual modelo de desenvolvimento, englobando uma área física de
10 mil quilômetros quadrados (km²), tendo como centro a cidade de Manaus.
Visando integrar a Amazônia à economia do País, bem como promover
sua ocupação e elevar o nível de segurança para manutenção
de sua integridade, a União, por meio do Decreto-Lei nº 291, de 28
de fevereiro de 1967, definiu a Amazônia Ocidental tal como ela é
conhecida, abrangendo os Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima.
O modelo de desenvolvimento
regional ZFM está assentado em incentivos fiscais e extrafiscais, que propiciaram
condições para alavancar um processo de crescimento e desenvolvimento
da área incentivada. Em 15 de agosto de 1968, o Decreto-Lei Nº 356/68
estendeu esses benefícios a toda a Amazônia Ocidental. A dinâmica
da ZFM compreende três pólos econômicos: comercial, agropecuário
e industrial. O primeiro teve maior ascensão até o final da década
de 80, quando o Brasil adotava o regime de economia fechada. O pólo agropecuário
abriga projetos voltados a atividades de produção de alimentos,
agroindústria, piscicultura, turismo, beneficiamento de madeira, entre
outras. Já o Pólo Industrial de Manaus (PIM) é a base de
sustentação da ZFM. Possui mais de 500 indústrias de alta
tecnologia, gerando mais de meio milhão de empregos (105 mil diretos e
400 mil indiretos), com faturamento de mais de US$ 22 bilhões em 2006.
• Novos Tempos
Em novembro de 1991, o Governo Federal lançou a Nova Política Industrial
e de Comércio Exterior, incluindo a redução progressiva do
Imposto de Importação. Toda a indústria nacional sofreu os
efeitos da medida e o País enfrentou uma das maiores crises da sua economia,
com desemprego em massa. Na Zona Franca de Manaus, não foi diferente. Para
competir com os produtos similares importados, mais modernos e com custos de produção
mais baixos, as empresas tiveram de se reestruturar com investimentos maciços
em bens de produção, incrementos de automação industrial
e a indesejável liberação de mão-de-obra. A indústria
da ZFM teve de se adequar ao Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade.
O setor reagiu rapidamente e o faturamento do Pólo Industrial de Manaus
saltou de US$ 8,4 bilhões em 1990 para US$ 11,7 bilhões de dólares
em 1995. Em 2005 alcançou a marca de US$ 18,9 bilhões, passando
para pouco mais de US$ 22 bilhões em 2006. Em exportações,
o pólo fechou o exercício anterior com aproximadamente US$ 1,7 bilhão
em negócios com o mercado internacional. Além
da geração de emprego e renda, a importância do Pólo
Industrial de Manaus pode ser medida pela receita gerada por meio dos impostos
recolhidos junto às empresas incentivadas. De tudo que a União arrecada
na Região Norte, excluindo o Estado de Tocantins, 64,5% sai das indústrias
de Manaus. Já a arrecadação total, incluindo tributos federais,
estaduais, municipais, taxas e contribuições se aproxima de R$11
bilhões.
• Investimentos
Com os recursos arrecadados pela Suframa por intermédio das Taxas de Serviços
Administrativos (TSAs) recolhidas pelas empresas incentivadas, a autarquia financia
projetos de infra-estrutura e formação de capital intelectual na
sua área de atuação (Amazônia Ocidental mais Macapá
e Santana, no Estado do Amapá). Somente neste último item foram
mais R$ 13,7 milhões nos últimos cinco anos, recursos que possibilitaram
a oferta de cursos de especialização, mestrado e doutorado, todos
voltados às potencialidades da região e no aumento da competitividade
da economia regional.
• Visão de futuro
Desde sua criação, a Suframa desenvolve uma política de fortalecimento
contínuo do modelo Zona Franca de Manaus. Diante da abertura do mercado
aos produtos importados no início da década de 90, a autarquia estimulou
a modernização das linhas de produção para que o parque
fabril fizesse frente às mercadorias importadas, com custos menores de
produção, conseqüentemente mais baratas. O pólo industrial
investiu em modernização, tornou-se mais eficiente e ampliou o mix
de mercadorias. O resultado deste empenho é que hoje o modelo é
referência mundial em inovação de produtos, com preço
e qualidade que concorrem nos mais exigentes mercados, como o norte-americano
e europeu. Nos últimos anos, a Suframa redefiniu seu planejamento estratégico
para a região e estabeleceu como prioridade o investimento na formação
de capital intelectual, na implantação de bioindústrias e
no surgimento de novos pólos industriais. Neste cenário foi concebido
e implantado o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA). Neste processo,
a autarquia encomendou ainda estudos para a viabilização de novos
pólos industriais e, neste último caso, está apostando na
atração de empresas do segmento gás-químico para o
PIM. Essas indústrias poderão explorar o potencial da província
petrolífera de Urucu, de onde sairá um gasoduto com destino à
Manaus, obra iniciada pela Petrobras em 2006, com promessa de estar concluída
até 2008. Paralelo a estes projetos, a Suframa tem participado de eventos
internacionais para a divulgação da política de incentivos
fiscais do modelo ZFM. Em 2006, a autarquia realizou a terceira edição
da Feira Internacional da Amazônia (Fiam), evento feito a cada dois anos
por meio do qual as empresas do PIM e produtores da Amazônia expõem
seus produtos para potenciais parceiros comerciais de várias partes do
mundo. Para a região atendida pela Suframa, a Amazônia Ocidental
mais as cidades de Macapá e Santana, no Estado do Amapá, o fortalecimento
do Pólo Industrial de Manaus significa mais recursos para o financiamento
de obras de infra-estrutura, focadas no desenvolvimento das potencialidades regionais.

