Prefeitura Municipal de Manaus - Mercado Municipal Adolpho Lisboa

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Importado da Europa, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa foi construído de frente para o rio Negro em estilo art nouveau, no período áureo da borracha, e inaugurado em 15 de julho de 1883. Filho da segunda revolução industrial inglesa, o Mercado Grande, como muitos conhecem o Mercado Adolpho Lisboa, passou a fazer parte da história de Manaus num momento em que a cidade
passava por um processo de modernização arquitetônica e urbanística decorrente da ascensão econômica provocada pelo auge da borracha.

O Mercado Municipal Adolpho Lisboa não é o primeiro mercado de Manaus, mas é o mais importante que a cidade já teve. De acordo com Etelvina Garcia, o primeiro mercado de Manaus, a “Ribeira dos Comestíveis”, nasceu com a pequena aldeia que se fixou em redor do forte de São José dFOTO: /SEMCOMa Barra do Rio Negro a partir da chegada, em 1695, dos primeiros frades carmelitas, que incentivaram a construção de escola e igrejinha. O segundo mercado de Manaus data de 1870, tendo sido construído durante a administração do presidente da Província, Wilkens de Mattos (1868-1870). “Esse mercado ficava na Praça da Matriz, que ainda não estava totalmente aterrada. Era um mercado grande e bonito para a época, mas que logo se tornou pequeno para atender a demanda”, relata a historiadora.

Ao amanhecer de 1880, Manaus viveu grandes mudanças com as primeiras linhas de navegação internacional para Liverpool (Europa) e Nova Iorque (Estados Unidos), afirma Etelvina Garcia, ressaltando que em 1853 já haviam sido implantadas as linhas de navegação interior dentro da Bacia Amazônica. Nessa época, vieram as grandes companhias de navegação internacional,criaram-se casas de comércio e Manaus começou a se tornar uma metrópole. Então, se escolheu uma grande área da cidade para instalar o novo mercado público, de frente para o rio Negro e de costas para a Rua dos Barés, antigo bairro dos Remédios.

O conjunto arquitetônico do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, tombado em 1987 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, foi construído em momentos diferentes, passando por sucessivas ampliações e diversas reformas, a principal delas em 1978.

Em base de alvenaria de pedra e tijolo e cobertura em estrutura metálica importada de Liverpool, o pavilhão central teve sua construção iniciada na administração do presidente da Província Alarico Jozé Furtado e foi concluído na administração de José Paranaguá. O pavilhão Alarico Furtado, conhecido como pavilhão central, tem a fachada voltada para o rio Negro e arquitetura adequada ao clima amazônico, com ventilação natural favorecida por janelas nas paredes laterais e pelo lanternim – abertura na parte superior do telhado. “O pavilhão central era como se fosse um grande varandão”, comenta o arquiteto Roger Abrahim. Ainda de acordo com Abrahim, “no século XIX comprava-se esse tipo de prédio por catálogo, exceto a parte de alvenaria, você escolhia os elementos que queria como portão, pilar, parapeitos e encomendava dos ingleses, que possuem o maior acervo de arquitetura tropical do mundo”.

No final do Império e início da República, o mercado municipal “estava estrangulado” e passou por sua primeira ampliação. Joaquim Leovegildo de Souza Coelho mandou construir, em 1890, dois pavilhões em madeira de lei e telhado de zinco nos lados leste e oeste do pavilhão central, destinados à venda de peixe e tartaruga. Essas alas foram retiradas com a inauguração, em 1906, dos pavilhões laterais em ferro fundido, importados de Glasgow, na Escócia, e destinados à venda de peixe e de carne, e do pavilhão frontal em alvenaria de pedra, de frente para a Rua dos Barés com fundos para o pavilhão central. Este prédio de alvenaria possui dois pavimentos com uma escada de ferro em formato de caracol unindo os andares, portão de ferro no centro da fachada e no teto da entrada há uma abóbada de berço - cobertura construída com um contínuo arco de volta perfeita - com o brasão da cidade gravado no centro.

“Muitos desavisados quando vêem a placa na frente do mercado com o nome do Adolpho Lisboa pensam que quem construiu todo o mercado foi o presidente daFOTO: /SEMCOMprovíncia Adolpho Lisboa, mas isso não é verdade. O que ele fez foi a ampliação do mercado com a construção da fachada de alvenaria para a Rua dos Barés e dois pavilhões laterais em estrutura de ferro”, diz Etelvina.

Para a historiadora, essa mudança da fachada do mercado do rio Negro para a Rua dos Barés reflete claramente o “clima de europeização” que Manaus vivia ao dar as costas para o rio, mudança iniciada no governo de Eduardo Ribeiro. “Manaus é uma cidade portuária, que nasceu de frente para o rio, e, no momento em que nós viramos as costas para ele e aterramos os nossos igarapés, estamos negando as nossas raízes, querendo ser uma cidade européia ganhar vestimenta européia. A música ‘Porto de Lenha, tu nunca serás Liverpool’, de Aldísio Filgueiras e Torrinho, retrata muito bem essa situação”, afirma Etelvina.

Em 1909, na administração de Domingos José de Andrade, o Bigó, começou a ser construído o “pavilhão das tartarugas” em estrutura de ferro e em uma posição diferenciada aos demais pavilhões. Ele se estende no sentido leste e oeste, o mesmo do pavilhão frontal. A conclusão deste pavilhão, que foi equipado com 36 bancas em mármore destinadas à venda de quelônios - produto
muito comum na dieta do amazonense até aproximadamente a década de 1960 -, ocorreu na administração do superintendente municipal Jorge de Moraes (1911- 1913).

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Foi ainda no governo desse grande médico que foram instalados dois bonitos pavilhões laterais pequenos, octogonais, em ferro rendilhado, chamados de Pará e Amazonas, construiu-se o muro de alvenaria com gradil e portões de ferro e concluiu-se o belíssimo conjunto arquitetônico do Mercado Municipal Adolpho Lisboa.