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Prefeitura disponibiliza novo serviço para controle de anemia falciforme e doenças na hemoglobina

A identificação de doenças genéticas que afetam a hemoglobina e da anemia falciforme começará a ser feita pela Prefeitura de Manaus durante o programa de Pré-Natal oferecido às gestantes atendidas na rede pública municipal. O diagnóstico será possível por meio da Eletroforese de Hemoglobina, um método laboratorial moderno em fase de implantação pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

 

O exame deve ser feito por mulheres que atendem aos critérios definidos pela Linha de Atenção Materno-Infantil adotada no Brasil, sendo prioritário para gestantes negras, gestantes com antecedência de doença falciforme na família e gestantes com história de anemia crônica.

 

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, explica que o exame, a ser oferecido pelas unidades básicas tradicionais e pelas unidades da Estratégia Saúde da Família vai garantir a identificação da doença ou do traço falciforme nos fetos, os riscos hereditários, melhorando as chances de redução e controle das complicações durante o pré-natal, tanto para a mãe quanto para a criança.

 

A doença falciforme, informa o secretário, tem maior incidência entre a população negra, razão pela qual as mulheres negras estão entre o grupo prioritário de atenção. A doença apresenta riscos materno-fetais, que incluem placenta prévia e descolamento prematuro de placenta, além de infecções do trato urinário, complicações pulmonares, anemia, pré-eclampsia e óbito. Nas complicações fetais observam-se aborto, retardo de crescimento intrauterino, parto prematuro e mortalidade perinatal, além de elevação da taxa de mortalidade perinatal.

 

“Com a paciente tendo maior compreensão da doença, por meio das orientações oferecidas no pré-natal e durante o parto, e podendo-se prever as complicações relacionadas à gravidez, será possível aumentar as oportunidades de prevenção e intervenção. Por isso, é importante garantir o diagnóstico”, destaca Marcelo Magaldi.

 

O secretário informa que o diagnóstico precoce da doença falciforme em recém-nascidos já é feito pelo exame da Triagem Neonatal (Teste do Pezinho), disponível em 42 unidades de saúde da rede municipal e em todas as maternidades públicas, sendo a Maternidade Moura Tapajóz a que apresenta a maior cobertura do exame de seus nascidos vivos.

 

“A doença falciforme na gestação está associada a um aumento de complicações clínicas materno-fetais. E a gravidez pode agravar a doença, que por sua vez pode interferir na evolução normal da gestação, ocorrendo riscos significantemente maiores de morte nas grávidas com a doença quando comparadas com as mulheres saudáveis”, informa a gerente da Rede Cegonha na Semsa, Sonja Ale Farias.

 

De acordo com a gerente, estudos realizados mostram que existem mulheres com a doença que chegam à idade reprodutiva sem diagnóstico. “Dados disponíveis no Banco Mundial relatam que a taxa de letalidade em gestantes não cuidadas está entre 20 e 50%, enquanto que, entre as cuidadas, essa taxa cai para 2%”, alerta Sonja Farias.

 

Implantação e genética

A Semsa deu início à implantação da Eletroforese de Hemoglobina no Pré-Natal a partir de Nota Técnica para orientação aos profissionais das equipes da Atenção Básica (Unidades Tradicionais e da Estratégia Saúde da Família) sobre a solicitação do exame de Eletroforese de Hemoglobina no Pré-Natal. O profissional de saúde (enfermeiro ou médico) irá solicitar o exame e orientar sobre as Doenças Falciformes no caso das grávidas que iniciarem o pré-natal e que estiverem dentro dos critérios.

 

A doença falciforme (DF) é uma das enfermidades genéticas e hereditárias mais comuns no mundo, sendo de maior incidência entre a população negra. Decorre de uma mutação no gene que produz a hemoglobina A, originando outra, mutante, denominada hemoglobina S, de herança recessiva. Entre essas associações para a doença falciforme, a de maior manifestação clínica é identificada como anemia falciforme (AF).

 

De acordo com a chefe do Núcleo de Saúde da Mulher da Semsa, Rita de Cássia Castro de Jesus, quanto mais precoce for o diagnóstico e, consequentemente, o estabelecimento de uma linha de cuidado à saúde, maiores serão os benefícios individuais para as pessoas com doença falciforme.

 

“A gestante e seu parceiro irão receber aconselhamento genético quando o exame apresentar o chamado Traço Falciforme, indicando a possibilidade de a criança nascer com a doença, mesmo que os pais não tenham”, explica Rita de Cássia. De acordo com ela, no caso de exames positivos para a doença, as gestantes serão encaminhadas para a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), recebendo orientação e informação com todos os detalhes da sua condição clínica e genética, além de tratamento. O acompanhamento da paciente também terá a participação da Unidade Básica de Saúde de referência.

 

Os principais sinais e sintomas da doença falciforme são: anemia, com icterícia (olhos amarelos); dores ósseas e articulares; atraso no crescimento e desenvolvimento infantis; “Síndrome Mão Pé”, com inchaço e dor em punhos, tornozelos e dedos (em geral nas crianças até dois anos de idade); e risco aumentado de infecções, entre outros. A ausência de tratamento adequado e precoce pode causar a morte do paciente.

 

Reportagem: Eurivânia Galúcio/Semsa

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa): (92) 3236-8315

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