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Prefeito se emociona no lançamento do livro sobre o senador Arthur Virgílio Filho

Prefeito se emociona no lançamento do livro sobre o senador Arthur Virgílio Filho

 

O prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto se emocionou, na noite desta terça-feira, 08, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília, durante o lançamento do livro sobre o perfil parlamentar do senador Artur Virgílio Filho, de autoria do jornalista Mário Adolfo. A obra traz um ensaio biográfico sobre o parlamentar e principais discursos dele na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

 

Prefeito se emociona no lançamento do livro sobre o senador Arthur Virgílio Filho

 

Pai do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Filho foi deputado da Assembleia Constituinte do Amazonas pelo Partido Social Democrático (PSD) e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), elegeu-se deputado federal em 1958 e senador em 1962. Com a extinção dos partidos políticos, pelo Ato Institucional nº 2, e com a implantação do bipartidarismo, o então parlamentar filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

 

Prefeito se emociona no lançamento do livro sobre o senador Arthur Virgílio Filho

 

Para o prefeito, a homenagem é uma forma de resgatar a história de um parlamentar que foi perseguido no regime militar, mas, mesmo assim, não desistiu dos seus ideais. Durante o discurso, Arthur foi às lágrimas.

 

“Lembro que ele foi cassado pelo regime militar e tivemos nossa casa invadida. Nos obrigaram a cantar o hino nacional para provarmos que não éramos comunistas. Tudo porque meu pai defendia a democracia”, disse Arthur.

 

O autor da obra disse que o processo para escrever o livro durou aproximadamente dois anos. Ele afirmou que havia conhecido o pai bem antes do filho, durante um pedido de apoio para uma greve na empresa Sharp do Brasil, encabeçada pelo amigo Simão Pessoa, em 1977.

 

“Em tempos em que se coloca a política em xeque vemos a Câmara homenageando um brilhante parlamentar. Todos deveriam ter um pouco de Arthur Virgílio filho. Um homem íntegro que defendeu seu País até o fim”, afirmou Mário Adolfo.

 

O amigo de Arthur Filho, Almino Afonso, contou que se sentiu emocionado por poder ter visto a homenagem a quem ele chamou de um dos maiores parlamentares que o País já teve. “Tive o prazer de conviver com ele no Congresso. Aprendi bastante. Conceitos que levo até hoje na minha vida”, assinalou Almino.

 

O deputado estadual Arthur Bisneto agradeceu pelo fato de o livro recuperar, também, parte da memória da família. Ele falou com emoção do avô. “É uma honra fazer parte desta família, que mudou a história do Brasil”, assinalou.

 

Participaram da homenagem a esposa do prefeito, Goreth Garcia, a filha, Ana Carolina, e deputado e senadores de todo o Brasil. “Agradeço a todos pela reverência ao meu pai”, encerrou o prefeito.

 

Agenda

Nesta quarta-feira, 09, o prefeito Arthur Neto vai às embaixadas de Croácia, Honduras e Camarões. De acordo com ele, a visita de cortesia servirá para estreitar os laços com os países que disputarão jogos da Copa do Mundo em Manaus.

 

Resistência

De acordo com Mário Adolfo, Arthur Virgílio Neto, quando senador, o chamou a Brasília em 1996 e, para sua surpresa, disse que o havia escolhido para escrever a história político do “velho” Arthur.

 

“Éramos estudantes universitários e, a partir daquele momento, passamos a frequentar o apartamento do senador cassado, que ficava no primeiro andar do edifício David Nóvoa, na avenida Sete de Setembro, Centro. Passávamos horas sentados no tapete da sala tomando cerveja e ouvindo o “tio Arthur”, como o chamávamos, contando os episódios de sua atuação parlamentar, com riqueza de detalhes. Talvez essa proximidade tenha feito Arthur Neto fazer o convite para escrever o livro.

 

O jornalista conta que durante mais de dois anos de pesquisa, se emocionou várias vezes com a história do ex-líder do Governo João Goulart (PTB) no Senado. Um desses momentos aconteceu em plena ditadura militar, quando o senador reagiu ao golpe de 1964, proferindo o célebre discurso que gravaria para sempre suas palavras na história do Brasil:

 

“Que nos fechem hoje, mas com o povo que nos assiste ao nosso lado; e não nos fechem amanhã, ingloriamente, com os aplausos do povo brasileiro, como aconteceu em 1937”, bradou Arthur Virgílio da tribuna, enquanto os tanques cercavam o senado. Apesar da resistência ao arbítrio, o bravo senador foi cassado em 1969 pelo Ato Institucional nº 5, ficando com seus direitos políticos suspensos por dez anos.

 

Trajetória

O livro mostra a trajetória de Arthur Virgílio Filho, que, além da política, teve como atividades principais a advocacia e o jornalismo. Em 1958, foi eleito deputado federal e em 1962 tornou-se senador. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2, e com a implantação do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático  Brasileiro (MDB).

 

Durante o mandato parlamentar, trouxe às duas Casas do Congresso Nacional à discussão de temas como a ditadura militar, a reforma agrária, a inflação, a perda da hegemonia brasileira no mercado mundial da borracha, a criminalidade, a falta de amparo ao trabalhador e a tentativa de destruição da Petrobras pelas Forças Armadas. Cassado pelo Ato Institucional n° 5, o parlamentar teve seus direitos suspensos por dez anos.

 

Em 1979, sob o Governo Figueiredo, foi beneficiado pela anistia e, no Governo Sarney, exerceu a Presidência do INPS no período de 1985 a março de 1987.

 

Arthur Virgílio Filho faleceu em 31 de março de 1987, no Rio de Janeiro, e foi sepultado em Manaus.

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