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Obra contará vida e trajetória do revolucionário amazonense Ribeiro Junior

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A história do tenente Ribeiro Junior, um dos líderes do Tenentismo no Amazonas que tomou o poder e assumiu o governo do Estado em 1924 por 36 dias, está retratada no livro “Ribeiro Junior – Redentor do Amazonas – Memórias”, que será lançado na próxima sexta-feira, 22, pela editora Norma. O lançamento será no Paço da Liberdade, Centro Histórico de Manais.

 

Escrito por uma de suas filhas, Eneida Ramos Ribeiro, e produzido pela historiadora amazonense Etelvina Garcia, o livro traz, além da trajetória política do revolucionário, a visão de quem sempre esteve ao lado dele, sua família.

 

Como mito criado pelo Tenentismo, Ribeiro Junior teve sua vida marcada pela revolução. Casado, pai de nove filhos, chegou ao Amazonas como preso político. A transferência para cidades distantes como Manaus (AM) e Belém (PA) era a punição para militares do Centro-Sul que se envolviam em revoltas. Eram presos, processados e transferidos.

 

“Para onde ele ia preso, Belisa, sua esposa e mãe de seus filhos, ia atrás. Após ser preso em Belém, sua família saiu do interior do Rio de Janeiro para residir lá. Pouco tempo depois de instalados, os filhos matriculados nas escolas, Ribeiro Junior foi transferido para Manaus. Belisa e seus filhos moraram no Amazonas por um tempo, na rua 10 de Julho, em uma casa próxima ao Colégio Militar, à época denominado Quartel Militar do 27º Batalhão dos Caçadores”, conta Etelvina.  .

 

O Redentor    

Uma oligarquia corrupta e nepotista liderada pelo governador Rego Monteiro, uma sociedade injustiçada e um povo amazonense descontente. Esse foi o cenário que Ribeiro Junior e outros tenentes, como Magalhães Barata e Léo Gutierrez Simas, encontraram ao chegar a Manaus em 1924, após a transferência de Belém.

 

Em 1921 tomou posse como governador Rego Monteiro, que se elegeu de forma duvidosa e sob grande pressão do povo e da oposição. “Fez um dos piores governos da história do Amazonas. Tomou posse sob a garantia das forças federais, nomeou o prefeito de Manaus, um de seus filhos. Nomeou chefe da Casa da Civil, outro filho. O outro foi para o cargo de chefe de polícia. Não havia vice-governador. Na sua ausência, quem assumia o governo era o presidente da Assembleia, seu genro. O nepotismo era praticado sem o menor pudor e o povo estava humilhado. Funcionários públicos não sabiam o que era receber salário. Os atrasos levavam até dois anos”, ressalta a historiadora.

 

Diante dessa situação, no dia 23 de julho de 1924, Ribeiro Junior e os demais tenentes que faziam parte do movimento Tenentista – que eclodiu no Rio de Janeiro – deflagram o movimento em Manaus e tomaram o poder. “Eles isolaram Manaus do resto do mundo. Marcharam pela cidade, tomaram o Quartel da Polícia Militar e foram para o Palácio do Governo. Lá chegando, encontraram o genro do governo, uma vez que este estava viajando na Europa. O governador em exercício fugiu para o então município de Rio Branco após a invasão”, detalha Etelvina Garcia.

 

A partir de então, os tenentes se dividiram em dois blocos. O primeiro seguiu pela calha do Amazonas com o objetivo de conquistar as cidades até chegar a Belém e Ribeiro Junior ficou em Manaus, onde tomou posse como governador do Amazonas. Durante seu governo, teve o apoio dos intelectuais que entenderam o sentido da rebelião e foram nomeados para fazer parte do governo.

 

O então governador criou o “Tributo da Redenção”, onde as pessoas com maior poder aquisitivo tinham que prestar contas e comprovar a origem dos seus patrimônios. Quando não comprovados, os fundos passavam ao poder do Estado. O governador criou ainda um jornal onde eram publicados os recursos que entravam no tesouro público e que eram usados para pagar as dívidas do Estado, dando preferência aos salários atrasados dos funcionários públicos e fornecedores. Com isso, o povo começou a sentir a diferença de administração.

 

O governo de Ribeiro Junior durou 36 dias, tempo em que a Força de Destacamento do Norte fez no sentido contrário ao movimento deflagrado pelos rebeldes. Retomaram todas as cidades que haviam sido tomadas na Calha do Amazonas e prenderam os tenentes rebeldes, inclusive Ribeiro Junior.

 

A autora

Nascida no dia 23 de julho, exatos quatro anos após o a Rebelião de 1924, Eneida, hoje aos 88 anos, contou com o apoio da família para retratar com fidelidade os fatos contados nas cerca de 250 páginas do livro. A obra é baseada em fatos e documentos guardados ainda hoje pela família.

 

“Ela é a filha mais nova. É professora, escritora, estudiosa das questões sociais e culturais e colocou a família toda para escrever. É um livro muito bem escrito, a autora é fantástica, ele retrata não apenas a questão politica em si, mas o que estava por detrás, a família, principalmente a história de Belisa”, comenta a historiadora.

 

Para o lançamento do livro em Manaus estarão presentes a filha de Eneida, Beatriz Ribeiro e sua neta, Alice Ribeiro.

 

SERVIÇO

O que: Lançamento do Livro Ribeiro Junior – Redentor do Amazonas – Memórias

Quando: 22 de julho

Onde: Paço da Liberdade, na Praça Dom Pedro II, Centro Histórico de Manaus

Quanto: Gratuito

 

Texto: Mônica Figueiredo

Fotos: Ingrid Anne / Manauscul

Assessoria de Comunicação da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult): 92 3215-4613

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