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Museu da Cidade em Manaus é destaque em revista nacional

Nos próximos cinco anos, doze centros culturais e museus serão inaugurados no Brasil, entre eles, dois na cidade de Manaus: o Museu da Cidade, que funcionará no prédio histórico do Paço da Liberdade; e o Museu Olímpico, na Arena da Amazônia, composto de peças do acervo do presidente da Confederação Sul-Americana de Atletismo (Consudatle), Roberto Gesta.

 

O boom de inaugurações, em pleno cenário econômico desfavorável no País foi o assunto da matéria “Contra a crise, museus”, da revista Veja deste domingo, 23/7. Nela, cinco Estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Piauí, Goiás e Amazonas – têm seus projetos citados como modelos dos novos conceitos de museus, os chamados “museus de identidade”, que dialogam com a tecnologia sobre aspectos temático-culturais específicos, como é o caso do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e da Língua Portuguesa, em São Paulo.

 

“O Museu da Cidade, em Manaus, pretende explicar o surgimento da capital amazonense a partir dos diversos fluxos migratórios”, cita a reportagem. Trata-se da exposição permanente “Manaus: História, Gente e Cultura”, que irá trabalhar tanto os aspectos históricos, como o processo evolutivo de construção da cidade de Manaus, focado, sobretudo, na inserção das pessoas na construção desse modelo de cidade.

 

A ideia é contar, em uma linha do tempo, como a cidade foi criada a partir de um intenso fluxo migratório e como foi forjada a partir do ideal simbólico dos seus nativos que em interação com os imigrantes formaram o que hoje é acidade de Manaus.

 

O curador dessa exposição é Marcello Dantas, que também assina o projeto do Museu da Língua Portuguesa. Em entrevista à Veja, ele analisa o atual movimento de museus como concretizações a partir de manifestações “que acontecem de forma oral, visual ou tátil”.

 

“(Os museus de identidade) não expõem algo colecionável, mas cultura imaterial, muitas vezes ligada à identidade de um povo ou um grupo. É um tipo de museu capaz de olhar para a cultura viva e mostrá-la às pessoas”, explica.

 

Dantas, que acaba de ser escolhido como curador de arte do Aeroporto de La Guardia, em Nova York, explica ainda que mais de 1 mil museus foram criados na China nos últimos 20 anos. “Ali houve ditadura, revolução cultural, cinqüenta anos de ostracismo e renascimento econômico. Os museus de agora são uma forma de o chinês enxergar como ele realmente é depois das mudanças. Isso também acontece em países como Argentina, Colômbia e México”, afirma à revista.

 

Dantas é representante da empresa Magnetoscópio, que venceu a licitação voltada para empresas interessadas em criar o projeto museográfico e museológico, com recursos de tecnologia, captar recursos para a execução por meio da Lei Rouanet. O resultado final do Edital da Chamada pública nº 005/2016 foi publicado na edição 4036 do Diário Oficial do Município do dia 3 de janeiro.

 

Atualmente, o projeto se encontra na fase de captação de recursos por parte da empresa responsável. A partir do início da instalação do Museu da Cidade, a expectativa é de que sejam necessários seis meses para a conclusão da obra de instalação.

 

A fim de ajudar a custear a manutenção do Museu, haverá a instalação de bilheteria, a preços populares, cujos valores serão estudados posteriormente. Eles irão para o Fundo de Manutenção do Museu.

 

Sobre o Paço da Liberdade

Erigido em 1872 como forma de marcar o poder territorial do Império na Região Norte, o Paço da Liberdade, localizado no Centro Histórico de Manaus, conta não apenas a história da cidade, mas guarda em suas fundações conhecimentos técnicos que ainda hoje são estudados por alunos e professores de Arquitetura.

 

Feito para suportar o regime das águas, o prédio histórico, de perfil neoclássico, está situado em frente à Praça Dom Pedro II, em uma região onde foram encontradas, oficialmente, aproximadamente 300 peças arqueológicas catalogadas. Para se ter uma ideia do valor histórico do espaço, o primeiro acervo registrado foi encontrado a apenas 3 palmos de profundidade.

 

O pé direito, a angulação dos detalhes, o frontispício remetem ao período iniciado em meados do século XVII e que durou até meados do século XIX, conhecido como Neo-clássico, trazido à tona com base nos ideais do Iluminismo, procurando o equilíbrio, sobriedade e simplificação dos excessos do período anterior, o Barroco.  Foi do salão nobre do Paço da Liberdade, hoje sala de ex-prefeitos, que o então governador do Amazonas, Eduardo Ribeiro, assinou o contrato com a empresa que seria responsável pela construção do Teatro Amazonas.

 

Detalhes como as madeiras Acapulco e Pau-amarelo, ainda originais, estão presente nas salas principais; pinturas no barreamento e rodapé que lembram o mármore, feitas por artistas italianos, também podem ser conferidas no local, bem como janelas de prospecção que mostram os detalhes originais de cor, técnica e desenho utilizados pelos arquitetos e artistas da época.

 

Fotos: Divulgação e Arquivo / Manauscult

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