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Contribuição de Shakespeare é debatida na programação acadêmica do Dia do Livro

As obras, palavras, expressões criadas pelo escritor William Shakespeare, permanecem ainda hoje no léxico cultural das sociedades em várias partes do mundo, apesar dos mais de 400 anos que separam à época do bardo inglês do mundo contemporâneo. “Um autor para este tempo e para todos os tempos”, definiu o dramaturgo, poeta e ator inglês da Renascença, contemporâneo de Shakespeare, Ben Jonson (1572-1637). Todo este universo, contribuição e contexto histórico foram temas da programação acadêmica do Dia Internacional do Livro, realizada nesta terça-feira, 24/4, no auditório Rio Solimões da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Coroado, zona Leste.

 

Contribuição - Ciclo de Palestras na Ufam 24/04/2018

 

A programação, iniciada na segunda 23, segue até a próxima sexta-feira, 27, no Paço da Liberdade, Café Teatro e Instituto Cultural Brasil Estados Unidos (Icbeu), ambos localizados no Centro. Neste ano, o autor inglês William Shakespeare, é o grande homenageado.

 

“O objetivo desse evento é aproximar o público da obra de um grande autor. Muitas vezes autores tão geniais como por exemplo Shakespeare, Cervantes de alguma forma se convertem em monstros, então essa é uma boa oportunidade para quem não conhece se aproximar e quem já tem alguma relação possa se aprofundar”, destacou o co-organizador do evento na Ufam e professor do Departamento de Letras Língua Espanhola, Saturnino Valladares.

 

Como contraponto da literatura realizada por Shakespeare, o professor e Doutor em Língua Francesa, Herbet Luiz Braga Ferreira, trouxe o comparativo com a literatura feita pelos franceses. “O teatro francês, uma outra vertente cultural, não separava comédia da tragédia; o modelo francês e o inglês eram duas maneiras de estar no palco, de ver e de escrever para o teatro, completamente diferentes. Para os franceses, Shakespeare era um bárbaro, muito por conta das inovações propostas por ele”, afirmou. Estima-se que o autor inglês tenha criado aproximadamente 99 novas palavras.

 

Na palestra “A Tempestade e os Desafios do Encontro”, o professor e doutor em Sociologia do Trabalho, Marcelo Seráfico, trouxe a aproximação da Sociologia com a Literatura. “A obra do Shakespeare é uma espécie de estimulo à analisa sociológica: tem o caráter de entretenimento, mas também de revelação, uma vez que revela algo sobre a realidade social de algum tempo. Quando ela é muito forte, essa obra transcende seu próprio tempo: somos obrigados não apenas a ler, mas a reler esses autores que, na medida em que o tempo passa, faz com que façamos novas perguntas, trazendo novas respostas de acordo com nosso tempo”, observou.

 

Seráfico citou ainda os conflitos globais atuais presentes na obra shakesperiana. “Estamos vivendo uma tempestade de mudanças e novos encontros e invoco Shakespeare na intenção de desvendar o presente. Esses encontros se caracterizam na inclusão de novas ideias, de gêneros, etnias, além dos conflitos de classes, tribalismo. Essas mudanças representam o encontro do velho com o novo mundo, a dialética do encontro quando gêneros diferentes se põem juntos”, destacou.

 

Com o tema “A contribuição de Shakespeare para o léxico de Língua Inglesa”, o professor e mestre Sérgio Armstrong, ressaltou a importância do neologismo do autor inglês, na época do renascimento, que se aproveitou da falta de regras consolidadas para criar um léxico próprio, em vista da queda do interesse da sociedade da época pelo latim e pelo grego. “Aproveitando da liberdade que ele tinha, ele conseguiu derivar do latim; são palavras e expressões que ainda influenciam os dias atuais. Podemos explorar Shakespeare não só na literatura, mas na linguística também. Não há como separar Literatura de Linguistíca”, disse Armostrong.

 

Manhã

“A capacidade da Literatura de intervir no real é o instrumento pelo qual as sociedades se transformam; daí a importância das obras consideradas universais”. A afirmação do professor doutor em Literatura, Leonard Christy Souza Costa, apresentou o contexto literário da obra de William Shakespeare e sua influência cultural durante a palestra da manhã, na Ufam.

 

Costa destacou ainda, em sua palestra “Solilóquios em Hamlet, entre a autoria e o personagem”, que Hamlet é uma obra que causa questionamento, traduzida pela expressão universal: “ser ou não ser essa é a questão”.

 

O ciclo de palestras teve início às 8h30 com a mesa de abertura composta pelo professor doutor Saturnino Valladares; professor Doutor Lajosy Silva e Professor Doutor Wagner Barros, ambos da Faculdade de Letras da Ufam.

 

A mesa-redonda formada pela professora Dra. Cássia Maria Bezerra do Nascimento; professora Msc. Taísa Aparecida Carvalho Salles; e o professor Dr. Raimundo Martins de Lima, abordou a temática do papel da literatura na formação no indivíduo, o papel das bibliotecas e a educação inclusiva.

 

Fotos: Ingrid Anne / Manauscult

Disponíveis em: https://flic.kr/s/aHsmikm2Fj

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